segunda-feira, 6 de março de 2006

PATÉTICA

Ah claro...

A minha vida poderia virar seriado da Sony qualquer hora. Já não luto mais por privacidade, igualdade, coerência e liberdade... Ah...mas o que um tem a ver com o outro? Calma, eu explico.

PRIVACIDADE: quando alguém e/ou alguma coisa muda-se de casa e/ou lugar, espera-se um mínimo de privacidade. Uma localidade só sua, longe das especulações paternais e alheias. Para aqueles que desconhecem a minha situação atual, morava até pouco tempo em um apartamento em SP, com uma prima, uma amiga da prima e meu irmão (ainda moro, mas sozinha agora). Um lugar pequeno, porém bastante confortável. Decorações coloridas e descombinadas por toda parte. Assim, a minha cara. Sinto-me feliz e quase completa quando estou lá. Mas nada é perfeito.

Não exagero. Nunca. Meus relatos são sempre reais, e tragi-cômicos.

Duas vezes, eu disse DUAS, fui pega semi-nua, em meu próprio cantinho. Considero completamente normal andar em trajes sumários na minha casa. Morei com pessoas que considero familiares (dois, na verdade, o são...), e o pudor não nos atinge. Acontece que eu já cheguei em casa (como sempre), arranquei o uniforme de trabalho (como sempre) e fui pega por pessoas desconhecidas e não autorizadas (duas vezes). Foi desconcertante, porém, do jeito que as coisas vão, já estou me acostumando. Falta só me acostumar a me depilar toda semana, a usar lingerie que combine e a tirar minhas meias na hora que em que tiro o uniforme também. Assim, simplesmente patético.

LIBERDADE: ultimamente sinto até medo de andar na rua. Ah, não por causa do assalto que sofri, no qual entreguei de bom grado meu celular (que comprei com o MEU dinheiro), meu rádio do carro (estimado presente de aniversário) e uma pequena quantidade de dindin que tive que trabalhar durante 16hs para conseguir. Juro que não é por causa disso. Dois episódios que só poderiam acontecer comigo merecem ser narrados. Lá vai...

Acho que ninguém sabe disso, mas eu sou uma apreciadora das coisas simples da vida. Outro dia no transito de SP, a caminho do trabalho e de janela aberta, eu estava apreciando o sol de fim de tarde, aquele ventinho frio de outono agradável batendo nos meus cabelos, aquela música maravilhosa tocando na rádio... Foi quando um fulano, na fileira da esquerda (praticamente na minha frente), decidiu limpar o pára-brisa do carro dele...adivinha onde a água do esguicho do pára-brisa foi parar??? Ha, na minha testa. Merda.

Resultado: mau humor que só se esvaeceu depois de 24 hs.

Mais um? Pois bem. Estava eu a andar pela calçada da avenida Pedroso de Moraes, voltando da video-locadora 2001, passando pelos jardins do Instituto Tomie Othake, apreciando um pôr do sol maravilhoso, aquele ventinho frio típico de outono a bater nos meus cabelos e a balançar o meu lencinho no pescoço...perfeito... foi quando...

" - Arghhhhhhh!!!!! Mas que car****???
- Ui, má má, ôh minha fia!!! Cê mi discurpa! Num ti vi não viu...
- Ahan..."

O jardineiro dos jardins do Instituto Tomie Othake acabara de me acertar com a água da mangueira que estava utilizando para aguar as plantas. Assim, bem no pé orelha, molhando também parcialmente minha franja, que ficou grudada na testa, do lado direito.

Aí eu chego ao trabalho, e ainda tenho que ouvir: "Num dia tão bonito, por que é que só você é que chega tão mal humorada???"

Ah, não sei. Talvez seja o universo conspirando contra mim.

IGUALDADE: digamos que, na esquina da Belvedere, n.51, somente as mulheres (minha mãe e eu) e homens mais velhos (meu pai) é que são responsáveis por lavar a louça. O irmão, coitado, não sabe fazer nada! E nem pode! "Mas isso não é coisa de homem fazer!" . Coitado do pai. Isso me deixa louca.

COERÊNCIA: é só fazer uma compilação dos últimos fatos. Existe alguma coerência?

Não? Obrigada.

C´est la vie. Merda.