quinta-feira, 27 de março de 2008

O cabelo e suas possíveis interpretações relacionadas a linguagem corporal

Ah! As mulheres!

Os seres mais vaidosos do universo conhecido (!). Até Deus duvida do que são capazes de fazer e de se submeter em nome de uma aparência relativamente atraente. Tudo merece atenção : a pele do rosto, a pele do resto do corpo, as unhas dos pés, as unhas das mãos, o cabelo, a sobrancelha, os cílios, os dentes, os lábios, os pés, os cotovelos, a língua (atenção redobrada...), o nariz, as cutículas, os pêlos (ui), enfim... cada dia a lista cresce.

Mas hoje o foco é no cabelo. Nada como um dia de cabelo ruim (bad hair day), para fazer com que a mulher se sinta a última das criaturas. Geralmente, a diferença só ela nota.

Não, não vou falar de cuidados. Nem do meu cabelo. Não tenho receitas mirabolantes. Não uso nada especial. Aliás, quanto menos faço no meu cabelo, mais ele me agradece.

Vou falar do cabelo de uma fulana aí. Digo "fulana", pois eu não tenho a mínima idéia do seu nome. Então, farei melhor. Vou chamá-la pura e simplesmente de Fulana, com éfe maiúsculo mesmo.

Conheci Fulana na sala da pós graduação. Ela, que possui um cabelo loiro escuro, do tamanho médio, com mechas artificialmente mais claras (datadas de ao menos 4 semanas atrás), é com certeza uma das pessoas mais sem graça de aparência que já vislumbrei. Carinha de menina perdida na paisagem excitante de um pasto de gado (mas... será?), pele clara, sobrancelha fina, sorriso inexpressivo, pouco participativa mas muito ávida nas suas anotações. A sua paleta de cores somente compreende : azul bebê, azul celeste, rosa bebê, rosa desbotado, amarelinho e um ocasional roxo, quando ela se sente mais ousada. Senta duas fileiras pra frente da minha, umas duas cadeiras para a esquerda. Hum... como uma pessoa assim poderia chamar a minha atenção?

Pois bem, acredito piamente que pessoas que não são dotadas de personalidade marcante, geralmente precisam fazer alguma coisa que chame a atenção dos demais. Fulana é perdidamente apaixonada por seu próprio cabelo. E conseguiu, da maneira mais esdrúxula e irritante existente no Ocidente próximo me deixar dispersa nas aulas.

Tudo começou na primeira aula, da segunda semana de aula. Eu estava sentada exatamente na quinta fileira, da frente para trás, distante de Fulana duas fileiras pra frente e duas cadeiras para esquerda. Enquanto o professor de História viajava nos seus mapas e em assuntos paralelos sobre a história da história, e que nada tinham a ver com o conteúdo da aula e por conta disso faria com que a aula atrasasse 45 minutos, noto com a minha visão periférica uma movimentação um tanto quanto perturbante à minha esquerda. Uma vez, não me incomodou. Três segundos mais tarde, mais uma vez. Tudo bem, as pessoas tendem a ficar inquietas quando estão ansiosas pelo término da aula em plena segunda-feira. Mas os movimentos persistiram por muito mais tempo e foram tão constantes, que eu acabei saindo do meu "profundo" estado de concentração para agora observar Fulana mexendo no seu cabelinho.

Fulana jogava ele para trás, e balançava duas vezes, da direita para a esquerda, da direita para esquerda. E voltava para sua postura de aluna. Depois, fazia como quem ia prender o cabelo e... jogava ele para trás de novo. E sentava direito na cadeira. Aí, reunia todo o cabelinho, fazia um birotinho, deixava o birotinho cair sozinho e jogava o cabelo para trás novamente, balançando para a direita e para a esquerda, para a direita e para esquerda...

E eu pensava : "Mas que p... é essa? Alguém avisa ela que aqui não se recruta para comercial de shampoo! E que essa m... desse birotinho que ela acha que vai parar num cabelo que nem 30cm de comprimento tem é com certeza o mais patético! Qual será o problema dela? Jura que ela acha que vai chamar a atenção de 39 jornalistas jogando o cabelinho assim? Não dá de outro jeito? É carência? Ou é o inconsciente dela apitando que ela é definitivamente a pessoa mais sem graça da sala, e que se ela quiser a atenção dos machos no recinto, que eles parem de prestar atenção na explanação de um doutor em História da Ordem Internacional para olhar para ela jogando o cabelinho? Ah, vai se f... . Hum, acho que esqueci a luz do banheiro de casa ligada. Afe, nem paguei a conta de luz desse mês. Não. Volta. Concentra. (...) e foi Alexandre, o Grande, o precursor da diplomacia no mundo antigo, conquistando civilizações, transformando suas cidades em Estados macedônicos, e preservando a cultura local para facilitar a legitimação do poder e... P... que pa...!!!!! Ela tem um padrão!!! Nem nisso ela tem criatividade! Eu tenho uma piranha na bolsa... será que cutuco ela e pergunto se ela quer emprestado, só de sacanagem? Será que ela ia perceber que está incomodando? Acho que a próxima vez que ela virar pra trás para ver se tem alguém olhando pro cabelo dela vou fazer cara feia. Acho que não faz idéia. Não mesmo. Infeliz."

E olho a minha volta para ver se não era pura e simples implicância minha com ela em particular, e que todas as mulheres adoram ficar jogando o seu cabelo aos ventos do ar condicionado e... Não. Era só ela mesmo.

Mas uma coisa eu percebi. Num raio de 5m, ela definitivamente conseguiu desconcentrar todos os alunos a ela próximos. Alguns inebriados pelo balanço de seu cabelo loiro. Outros com a mesma cara perturbada de que os movimentos exagerados do cabelo dela de fato atrapalham a aula. Ufa.

E viva as mulheres! Se não fosse por nós, o mundo seria um lugar sem complicações.