terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cheiro de Novo

O namorado, sempre aquela pessoa caricata. Tem uma mania bem irritante de cheirar tudo. (!)

Tipo, o volante do carro, a conta do Unibanco, a caneta que usa para escrever... vai entender.

Foi outro dia que me deu um novo "eletronical device". O fulano pegou o tal "eletronical device", tirou da minha mão e... cheirou.

"Mas que diabos...", disse eu.
"Eh que tem cheiro de novo!", disse o fulano.

Ha... duvido. Carro tem cheiro de novo. Casa tem cheiro de nova. Ateh roupas podem ter cheiro de novas.

Aparelhos eletronicos, não. Absolutamente.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pedintes

A quantidade de pedintes em São Paulo, a cidade mais rica da América Latina, é comparável a Bombaim, Maputo, sei lá... É absurda. Tanto que o paulistano já está tão habituado que, ou não os enxerga mais ou já adaptou a sua rotina tendo sempre moedas disponíveis, comida, peças de roupas que não estão mais em uso, entre outros, para doar quando os faróis estão vermelhos.

Recentemente saiu uma reportagem na Veja SP sobre a "profissão mendigo", na qual mostraram que muitas pessoas se aproveitam da boa vontade dos cidadãos para fazer cara de dó por aí e ganhar 8 salários mínimos mendigando. Pois é. E "trabalham" somente 4 horas por dia.

Eu me recuso a dar dinheiro na rua. É sempre preferível ajudar alguma instituição idônea do que dar dinheiro na rua, que será usado para comprar drogas e álcool. Cada um faz o que quiser da vida, ok... Mas eu não financio essas coisas. Existem abrigos na cidade, mas muitos preferem continuar nas ruas onde são "livres" para fazer o que quiserem.

A Rua Rocha é minúscula, mas tem uma quantidade incrível de mendigos por quarteirão. Bom, na verdade a rua só tem 1 quarteirão . Existem 5 mendigos: 4 homens e 1 mulher.

Os homens se limitam a encher a cara de cachaça de 1 real, espalhar lixo e tranqueiras que arrumam por aí e, claro, a pedir dinheiro e/ou comida. Te xingam quando você recusa.

A mulher, deve ter 1,50cm ou menos de estatura. Tem um pé machucado que ela enrola em um saco de lixo. O outro ela calça com meia e chinelo de dedo. Usa sempre um chapéu cata ovo também. Anda pra cima e pra baixo com um carrinho de feira que ela consegue colocar uma quantidade sobre natural de papelão empilhado.

Todos os dias ela passa aqui na frente e recolhe o máximo que ela consegue carregar de papelão. Muitas vezes faz duas viagens para recolher todo o nosso papelão. Tá sempre rindo e falando sozinha. Nunca a vi de cara feia. É uma verdadeira guerreira... Não se abala. Por mais simples que possa parecer o seu trabalho, ela se recusa a ficar sentada em uma esquina esperando a vida cair na cabeça dela. Ela própria se ajuda e ainda contribui para uma cidade mais limpa vendendo para reciclagem.

Todos os dias ela faz a mesma coisa. Não falta um. E depois dizem que mulheres são "o sexo frágil".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sinceridade

Nada como a sinceridade nas pessoas.

Ouvi outro dia em uma café duas gordinhas conversando:


Gordinha 1: " Eu sou gorda porque na verdade tenho ossos largos... o tipo físico da minha família também é assim... todos temos corpão, muita massa muscular... nem é gordura sabe... é massa mesmo... E tenho um problema crônico de tireóide... Tento, tento, tento emagrecer, mas não tem jeito... já fiz todo tipo de dieta. É tudo culpa da tireóide."

Gordinha 2: " Hum... eu sou gorda porque como demais mesmo. Simples assim."

Simples assim. No excuses.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pretensão

Desenvolvi recentemente um certo afeto pelos dicionários. Mas não a ponto de desejar ganhar algum de presente de Natal.

Pretensão: s.f. Ação ou efeito de pretender. / Vontade ambiciosa. / Presunção, vaidade. / Aspiração infundada a talentos, honras etc. (Mais us. no pl.)

Nova epifania minha: pessoas são acima de tudo pretensiosas.

Quem pensamos que somos para julgar os outros? "Fulana é uma anta", "ciclano não merece estar onde está", "beltrano não merece o que tem", "aquele lá não sabe o que é um problema de verdade", "todo mundo é burro menos eu", "joga pedra na menina do vestido vermelho curto".

Eu já falei em vários momentos da minha todas as frases relacionas acima (menos para jogar pedras nas pessoas de vestimentas supostamente inadequadas). Ok então, reitero o que disse. I take it all back. Hora de reavaliar as minhas opiniões.

Primeiro que todo mundo é muita gente. E se alguém fala que todo mundo é burro exceto quem me diz, duas coisas para você: mude as suas amizades e/ou o seu círculo de convívio. Pare de ler o que te incomoda e ofende. Escute o que quiser, não o que mandam você escutar. Diversifique. As opções estão aí. Levanta a bunda do sofá, pare de reclamar e vá fazer alguma coisa que possa te tirar da inércia medíocre que é a sua vida.

Segundo: acho que a vida é feita de escolhas. Você escolhe as coisas que quer ler, que quer assistir na televisão, escolhe seu amigos, as baladas e bares que frequenta, o tipo de alimentação que quer ter, as roupas que usa, as pessoas que se relaciona.

Gosto não se discute, nem se lamenta. Se respeita. Se as pessoas preferem mídias sensacionalistas que agregam pouca ou nenhuma cultura às massas...nada a ser feito. Já pensou que a ignorância dos fatos faz muita gente feliz? Isso não as faz piores ou melhores que ninguém. Só, diferentes. Muito me admira a incapacidade do homem de respeitar as opiniões alheias. A intolerância com relação as diferenças culturais e sociais. Por que não celebrar a simplicidade?

A troco de que, meu Deus? A velha e famigerada auto-afirmação..." Eu sou, eu posso e eu tenho tudo melhor que você." Tá, legal... bom pra você... e daí? Foda-se. Quem tem mesmo geralmente não precisa sair falando...

Tenho eternas crises de identidade... A cada ano, semestre, trimestre tenho uma idéia nova, uma vontade diferente, uma opinião. Minhas opiniões mudam, se adaptam. E isso não me faz melhor ou pior que ninguém. Só... diferente. Não acho que preciso ser e fazer uma coisa só para o resto da minha vida. Nem usar as mesmas roupas. Nem frequentar os mesmos lugares.

Já tive muita certeza do que queria ser e fazer. Hoje, não sei mais de nada. Engraçado que, as pessoas mais interessantes que conheço e as mais aparentemente estáveis também não sabem. Preferem sempre manter, isso sim, a cabeça aberta a possibilidades.

Então, vejo como pretensiosos todos aqueles de opiniões imóveis. Que criticam o modo de vida moderno como algo burro e vazio. Que acham que são "as pessoas certas" para formar opiniões que deveriam ser seguidas por outros. Que acham que são exemplos do bom gosto. Que acham que a vida que levam é a que todos deveriam levar e que essa sim é a fórmula para a felicidade.

Aliás, a definição de felicidade não poderia ser mais subjetiva. A definição de caminho certo ou errado, já ficou há muito tempo obsoleta. Aliás, quem define? Quem são os "formadores de opinião"? E porque as opiniões dos formadores de opinião são tão abrangentes assim a ponto de serem considerados formadores de opinião?

Só me ocorre uma coisa para as questões acima: pretensão. Pura e simples pretensão.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ai, mas que m****

Vamos lá.

Minha gente. Podem ficar ofendidinhos, emputecidinhos, encaralhadinhos e o escambal. Mas valha me Deus, Nossa Senhora e o Santo do Pau Oco!

Que porra é a "MISTURA"?

Do tipo: "O que tem hoje de mistura pro almoço?"

E eu que sei? Que merda, meu! Mistura não existe! Mistura é o que você faz com o arroz com ovo no seu prato! Com a farofa no feijão! É a maionese caseira! É um drink de mulherzinha! Isso é mistura!

Olha o que o titio Aurélio fala, ó:

Mistura

s.f. Ação de misturar. / Resultado de muitas coisas postas em conjunto. / Química Associação de muitos elementos, que se tornam indistintos sem formar uma combinação. / Fig. Reunião íntima de coisas diversas. // Mistura detonante, reunião de dois gases que, quando inflamados, oferecem reação explosiva: o hidrogênio forma com o ar uma mistura detonante.


Na composição de um prato, existe as proteínas, os carboidratos, vitaminas, sais minerais... E nem um deles é "mistura"!

É o seguinte: por favor, por tudo que é mais sagrado nessa vida, não saia falando por aí que trouxe "mistura" pro almoço. Não é legal. Não é apetitoso. Não é bonito. E não faz sentido nenhum.




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Frases do mês


Como nenhum causo me ocorre nessa vida besta e severina, só me resta colocar aqui algumas frases que me tocaram profundamente nos últimos tempos. São elas:

"Professor! Adoro as suas aulas! Adoro mesmo! Isso porque antes de eu conhecer o senhor, Padrão Ouro para mim era a H.Stern!"
(Um jornalista durante aula de Economia Política Internacional)

"Vacas são animais blasé."
(O namorado tendo uma epifania sobre a condição de animais rurais, e algumas pessoas, analogamente falando)

"Me dá o vinho da Copa!"
(Um cliente, sendo o mais vago o possível na sua escolha)

"Quero uma sugestão de Borgonha, de preferência da uva Cabernet."
(Outro cliente, que precisa ler com mais frequência)

"Quem é Benedita Calixto?"
(A Déa, descobrindo que existe vida fora do Shopping Iguatemi)

"Afe. Mas o que é que o Maradona está fazendo alí?"
(Eu, durante o último jogo do Brasil x Argentina, nas eliminatórias da Copa).

E para fechar o mês com chave de ouro:

"Obrigada graçinha!"
(Uma colega...)


Bom, eu ri. De todas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Um minuto na minha cabeça

Quisera eu saber sair de situações constrangedoras com mais elgância... E quisera mais ainda ter a coragem de realmente responder o que penso.

Outro dia na importadora um cliente chegou, se apresentou e perguntou meu nome. Foi assim:

" - Oi, boa tarde! Eu sou o Fulano de Tal. Qual o seu nome?
- Talitta. Como posso ajudá-lo?
- Ah, Talitta! O nome da minha filha número 1! (assim, bem entusiasmado...)
- Ah, haha... é mesmo?
- É... só que ela morreu. Na verdade, nasceu morta.
- ... Hum. (Pensamento: Mas que assunto mais inapropriado para ser tratado com uma total desconhecida, não acha?)".

No mesmo dia, um colega me chamou até a mesa dele para ajudar um cliente na escolha de uns vinhos para um jantar específico. Comecei a dar a minha opinião até que notei o cliente cobrindo a boca com uma das mãos, olhando pra mim e rindo muito...

" Pensamento: Gente... será que falei alguma bobagem"... Olhei pra ele depois com cara de interrogação.

Eis que o fulano fala:

" - Desculpe, é que não consigo acreditar que uma menininha esteja me dando conselhos sobre vinhos... Como é que pode você tão novinha assim saber sobre vinhos?
- Errrr... hum... é que lá em casa a gente começou cedo. (Pensamento: Na verdade eu fiz 3 faculdades e 1 pós-graduação para falar desse jeito, babaca. Não caiu do céu não.)
- Sua mãe colocava vinho do Porto na sua mamadeira para você dormir?
- Ahã. (Pensamento: Isso mesmo! E se a sua tivesse feito o mesmo com você não estaria fazendo perguntas descabidas e invasivas por aí.)".

Aí, um outro dia, em uma negociação intensa na qual deixei claro que não haveria desconto:

"- Escuta aqui, minha menina. Você tem que me dar moleza! Eu gosto é de moleza!
- ... (Pensamento: Ah é? Gosta de moleza? Por que não senta em um pudim então?)."

Ãncreiáble. Mas qualquer dia desses eu respondo.

sábado, 1 de agosto de 2009

El Chavo

Chaves é isso: o clássico do clássico dos anos 80. Só que não ficou só nos anos 80, passa até hoje no SBT... só não sei o horário. Não conheço um só ser que não tenha assistido Chaves durante a sua infância. Talvez a comédia mais boba e desprovida de malícia que já existiu na face da terra. Por isso que era boa. Era entretenimento puro e simples, e os pais só se preocupavam se seus filhos iam ficar mais idiotas... nada de apologia as drogas ou cenas impróprias para menores de 18 anos. O programa tinha uns 100 episódios mais ou menos e o Silvio Santos repetia eles na tv sistematicamente... Foi tanta martelada de Chaves na cabeça, que a minha geração encaixa muitas piadas no dia a dia...

Por exemplo, o namorado. O namorado adora chegar em um restaurante e fazer o pobre do coitado do infeliz do garçon dizer quais os tipos de caipirinha que tem... Assim, no estilo Jaiminho no bar da Dona Florinda...

" - Oi, que frutas para caipirinha vocês têm aqui?
   - Temos limão, lima, lichia, tangerina, amora, morango, frutas vermelhas, abacaxi, kiwi, jaca, melão, melancia, manga, framboesa, maracujá, banana...
   - Vou querer uma de limão."

Sim... pra que pergunta então, meu Deus? Se tem uma coisa que um sujeito pode ter certeza na vida é que todo restaurante que tem caipirinha no cardápio, tem a de limão! Ele sempre pergunta, e sempre pede a de limão!

A minha vontade nessas horas é de dizer: "Pra mim traz só os biscoitos então, por favor".

Mas acho que só eu ia rir (aliás, já estou rindo...).


                                                                     Não tem biscoitos!



quinta-feira, 23 de julho de 2009

Blé!


As pessoas são burras. Meeeeeeeeeeuuuuuu Deus. Como diria aquela grande amiga que prefere não mais sair de casa : "só de caco cheio para aguentar essa zorra". E muito cheio. de saco cheio. Engraçado como só o tempo faz a gente entender certas piadas. Aliás, a amiga que não sai mais de casa é com certeza a pessoa mais sã que conheço (apesar do que o psicólogo dela diz). Tudo mundo é burro, gente! Eu sou, tu és, ele é! Então pode tirar o penacho da cabeça, que tá parecendo mais a Elke Maravilha!

Vou usar a palavra "adoro" ao invés de "tenho vontade de morrer de cólera e peste bubônica", porque me disseram que tudo isso é muito forte e atrai "coisa ruim".

É assim, as pessoas nascem, vão pra escola, vão pra faculdade e fazem pós graduação. Só que não necessariamente nesta ordem. Por exemplo, eu a-do-ro ver estudantes de medicina escreverem em blogs e fóruns por aí : "enteresse" e "encômodo". Ou seja, entraram na faculdade, mas esqueceram de ir pra escola na aula de português da tia Lisa. Então, imagina os fulanos que ficaram pra trás deles no vestibular.

A-do-ro ter que rir das piadinhas sem graça de executivos que não fecham as braguilhas das calças e que acham que quantias com menos de 4 dígitos só servem para comprar pinga. E a-do-ro ter que rir de piada ruim de conhecidos em geral só pra ser "simpática". Porque se você não dá risada de uma coisa tão absurda como uma piada ruim, você é grossa! Grossa e horrorosa! 

Adoro quando o vagão do metrô está todo vazio e vêm um infeliz, senta do meu lado e espera que eu comece algum tipo de conversa porque ele está sorrindo pra mim.

A-do-ro quando vem uma mãe louca de vontade de se livrar no recém-nascido dela, olha pra mim pensando que sou delicada e tenho jeito com crianças e diz: "É meu filho! Quer segurar?". Não, obrigada.

A-do-ro (sério!) ver gente perdida no condomínio. Acham que só porque moro lá há 20 anos eu sei os nomes das ruas. Eu sei o nome da minha rua e pra chegar lá é só ir reto, virar à direita, à esquerda, à direita, à esquerda e ir reto na quadra de tênis.

A-do-ro a ex-colega de pós graduação que acha que só porque a melhor coca se desenvolve assim nos "altiplanos", logo também é possível plantar a da melhor qualidade em aviões!!! A-do-ro meu bem! E adoro quando ela balança a cabeça igual a um de beagle quando ouve o professor de 1,50m (com ego de 2,00m) dizer : "Richelieu...". 

Adoro gente que acha que "xalxixa" da Sadia é comida. Adoro gente que acha que falar de meiadúzia de coisas "cult" é ser cult. E adoro gente que acha que ser cult é melhor.

Adoro gente que acha que é bonito ser burro(a)...

Mas além de tudo, a-do-ro gente que acha que sabe das coisas e pensa que arrogância salva e esconde a insignificância do seu ser e o seu cérebro de amendoim.

Ai, adoro mesmo!


terça-feira, 14 de julho de 2009

Foi assim... Eu acordei com uma baita gripe hoje. Não tinha nada de remédio para tal em casa, então tão pronto me arrumei para ir trabalhar passei em uma farmácia. Comprei uma caixa com 20 comprimidos de paracetamol com sei lá o quê e pedi para medir minha temperatura pois não tenho um termômetro em casa.

Feito isso, passei no caixa para pagar. Dei meu cartão de débito para a caixa... para variar estava sem dinheiro em espécie. Dois segundos depois, eu tinha esquecido completamente que tinha dado o meu cartão para ela e comecei a procurá-lo novamente na minha bolsa. É a minha memória de peixe de aquário funcionando a todo vapor...

" - Ih, moça... peraí... acho que esqueci meu cartão em casa!
  - Não, pode ficar tranquila... você já me deu. Como eu demorei para passar ele na máquina, você ficou com a repressão de que não tinha me dado..."

Va-lha-me-Deus. Deu até para sentir a minha febre aumentar.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Elogio, pra que te quero?

Sabe como é que um fanático por futebol elogia a namorada?

"Querida, ontem você estava mais interessante que a final da Libertadores!"


In-crí-vel. E sim, eu ouvi isso.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

No ônibus


Tem dias que eu fico parada no ponto de ônibus uns 20 minutos, só para não ter que ficar andando pra lá e pra cá no metrô. Tem um ônibus que me deixa bem na frente de casa... é só atravessar a rua. Assim, por pura preguiça mesmo... O trajeto leva o mesmo tempo, e eu gosto de ficar sentadinha lá pensando na vida... sento em um canto, fico olhando a paisagem e as pessoas de São Paulo pela janela, divagando...longe...longe...

Mas não é todo dia que dá pra pensar na vida...

Ontem por exemplo foi um dia que eu entrei no raio do ônibus e resolvi que ia sentar em uma das cadeiras não reservadas que ficam antes da catraca... apesar de estar vazio, tive aquele pressentimento de que estava cometendo um grande erro.

Consegui divagar por uns 5 minutos. Eis que entram duas figuras na minha vida. Uma mãe, jovem, com ares de cansaço, e seu filho, com uns 4 anos no máximo. Sim, aí de todas as cadeiras não reservadas vazias antes da catraca existentes dentro do ônibus, eles resolvem sentar bem do meu lado. Ou melhor, a mãe sentou o filho na cadeira à minha esquerda e ficou de pé ao lado. Eu, muito educada que sou, prontamente levantei e ofereci o meu lugar à ela. Ela recusou. Ofereci novamente, mas ela disse que preferia ficar de pé. Tudo bem, a minha preguiça era tanta que resolvi que ia ficar lá mesmo. Erro número 2. Sorri simpaticamente para a criança, e depois para a mãe com aquela cara de "que gracinha...". Baita mentira.

A criança ao meu lado estava comendo pipoca. Mas comendo pipoca daquela forma que criança come... derrubando para todos os lados, enfiando toda a mão dentro da boca (por que raios criança precisa enfiar a comida lá dentro da boca? É pra ter certeza que vai engolir???), e limpando a mão no assento do ônibus. Tudo muito higiênico.

A mãe, muito pacientemente pedia : "(...) querido, não coma as bolinhas... olha que você vai engasgar!". As bolinhas a que a mãe se referia eram os grãos de milho não estourados. Aí, a criança, já demonstrando os primeiros sinais de possessão do demo no corpo, responde :"NÃO VOU NÃOOOOOOOOOOO". Ok, coma todo o milho e engasgue.

Não deu 5 minutos e o gênio do meu lado começou a tossir. Sim, tossia e enfiava a mão dentro da boca novamente e dizia : "Manhê! Cof cof cof! Grudou tudo! Cof Cof (na Talitta)! Manhêeeeeeeeeeeee!!!! Aaaaaaaaaaahhhhhhhhh!!!! Aaaaaaaaahhhhhhhhh!

"Querido, não faça isso! Quando mamãe chegar em casa ela limpa a sua boca pra você!". E por que é que a mãe fala de si mesma em terceira pessoa? O que se seguiu foram mais engasgos, tosses forçadas e chororô até que o Einstein do meu lado conseguiu se desengasgar sozinho com aquela mãe suja. Ficou tão satisfeito consigo mesmo, que resolveu que queria ficar de pé no ônibus. "Não, meu bem... você vai cair", dizia a mãe. "NÃO VOU NÃOOOOOOOOOO!!!!". Eu deixava cair. Deixava porque a mãe colocou a criança de volta no banco, e essa completou o processo de possessão do demo e começou a se debater, a chutar o banco da frente, a me chutar, a gritar... e a mãe pacientemente "Olha a moça... você está invadindo o espaço da moça!". Aí, eu dei aquela risadinha sarcástica de "Não, imagine...". Baita mentira reloaded.

Foi aí, que num acesso de raiva, a criança possuída pulou do banco e gritou "EUUUU QUERO LEVANTARRRRRRRR!!!!". Pois bem. Levantou, o ônibus deu aquela brecada e ele enfiou a testa na ferragem no banco da frente. Bem feito. Começou a chorar que nem um louco. Por que não damos o seu certificado de PhD então, gênio?

Em um ponto qualquer da Angélica, a mãe e filho urrante saltaram do ônibus. Fiquei extasiada durante alguns minutos, tentando de me recuperar dos chutes e tímpano esquerdo estourado por causa do escândalo que presenciei. Para então voltar ao meu breve estado de meditação a caminho de casa, enquanto olhava a paisagem e as pessoas de São Paulo...

Coisas que só acontecem dentro de um ônibus...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Adoro desafios!


Trabalho é uma coisa engraçada... principalmente quando o contato com o público é muito frequente, como no meu...

Utilizando um conceito de uma grande amiga, pude classificar o meu dia hoje no trabalho como "Um dia de desafios". Isto é, só servicinho de corno. Não me entendam mal... eu adoro o que eu faço!

Mas enfim, é incrível como clientes sem noção conseguem se reunir todos num dia só e atazanar uma pessoa X. Hoje, foi o meu dia. Mas eu não discrimino. Trato todos com a mesma cortesia. Mas para ilustrar, tive os seguintes:

- Uma cliente que sabe bem que temos um site e catálogos com todos os nossos produtos e ainda assim faz questão que eu passasse a listagem completa dos vinhos espanhóis por e-mail... Não seria problema se não fossem mais de 300 produtos. Precisei copiar um por um do sistema.

- Um velhinho que ficou tão feliz, mas tão feliz com meu atendimento, que ele passou a tarde toda me ligando de 10 em 10 minutos para falar dos vinhos que ele já provou, dos que ele quer provar, dos que ele viu no site...

- Um estudante de administração GV que me aparece com um livro nada mais e nada menos intitulado "1001 vinhos que você precisa provar antes de morrer", com a missão de que eu deveria encontrar 1 rótulo lá dentro com bom custo-benefício, e de preferência da mesma safra.

Olha, atendi todos com o maior prazer do mundo... Mas, puta merda... Servicinho de corno esses! 

Ou melhor, adoro desafios!

terça-feira, 26 de maio de 2009

The Couch




Estranha coincidência. De arrepiar a espinha dorsal.

Na época do neolítico, o namorado fez um curta-metragem intitulado The Couch. O filme tinha como personagem central um jovem que era obcecado por seu sofá da sala de estar das maneiras mais adversas e curiosas.

Já na era moderna o namorado fez uma reforma em seu apartamento, e para completar a reforma do novo ambiente, comprou novos móveis, entre eles, um sofá. Ou melhor, O Sofá.

O Sofá foi uma peça muito procurada, esperada, estimada e cara. Grande e confortável para aqueles domingos preguiçosos diante da TV. É de uma cor "cinza-azulada-clara". O tecido é um linhão, meio ecológico e artesanal, difícil de ser reproduzido em massa. É de estilo despojado, com uma capa que o cobre e deixa aquela sensação de aconchego e receptividade para aqueles que adentram a sua mais nova morada. É quase como se ele pudesse sussurrar "se joga...".

Adorei O Sofá. 

Um belo dia desses, querendo fazer um agrado e inaugurar o apê, resolvi fazer um jantar. Nem me lembro mais o que foi que cozinhei, mas deve ter sido um "filet au moutarde de Dijon avec risotto", e vinho para acompanhar. Escolhi um Tannat uruguaio. Daqueles bem concentrados de cor. Aliás, fazendo um parênteses aqui, foi provado cientificamente que a uva Tannat é a mais concentrada de todas. A que possui mais taninos (daí o nome), mais cor e mais antioxidantes (= propriedades que retardam o envelhecimento).

A cozinha do apê não estava completamente finalizada. Tinha a mesa para jantar mas não tinha as cadeiras. Logo, sobrou para fazermos nossa cena no Sofá. Montamos os pratos, abrimos o vinho e o servimos, e fomos para o sofá. Jantamos enquanto assistíamos a um filme qualquer na TV. Estava ótimo

Sempre sobra metade da garrafa de vinho quando terminamos o jantar. Aí, o jeito é beber tudo... no Sofá. Só que duas taças de vinho já são mais que suficientes para que eu perca minha coordenação motora e senso de espaço. Foi bem aí que o namorado fez um movimento brusco e eu me assustei. 

A taça de Tannat uruguaio extremamente concentrado de taninos em um movimento sinuoso e cheio de graça alçou um belíssimo vôo da minha mão. São nesses momentos que você vê a vida em câmera lenta. Pois eu vi, a taça de Tannat voar e rodopiar, e aterrissar justo no... justo no... no Sofá. Foram aproximadamente 200 ml de Tannat nas almofadas, capa e pé. Um terrível acidente.

A minha primeira reação foi congelar, ficar de boca aberta olhando o estrago e a cara do namorado. O namorado, teve igual reação. Acho que a sua educação o impediu de colocar pra fora tudo o que passou pela sua cabeça no momento. Mas, enquanto isso, eu tive a pior idéia do mundo : corri para a cozinha, peguei a Scotch-Brite e um sabonete branco, e comecei a esfregar o acidentado, com lado verde da esponja (!) e com todo o meu remorso. Esfreguei como se quisesse limpar todos os pecados do mundo. Ao final da limpeza, tinha tirado todas as manchas. No lugar das manchas, sobrou um "borrão" branco, ao qual atribuí ao sabonete. Pensei que no dia seguinte tudo estaria bem.

Pois no dia seguinte o borrão branco continuava lá no lugar das manchas de vinho. Foi aí que o namorado foi até a loja, em busca de uma luz que pudesse salvar o seu bem amado Sofá. Mas então voltou com a triste notícia de que eu tinha não só limpado as manchas como desbotado o tecido. Acho que no final de tudo isso o namorado ficou bem chateado, deu uma desabafada do quanto o sofá significava pra ele, que não mais iria acatar as minhas idéias esdrúxulas (sugeri tingir todo o sofá de preto), e ameaçou proibir toda e qualquer comida no Sofá. A única solução imposta foi a negociação de uma nova capa para o Sofá, e uma nova dignidade para mim.

Conseguiram um desconto na capa do Sofá e a mesma foi comprada. Isso já tem uns 4 meses, e a dita-cuja nunca foi usada. Está lá, guardadinha, em algum cantinho do novo apartamento temendo a minha presença. 

Tal qual o personagem de seu filme, o namorado deve ter pensado que só existiria uma saída para conservar o seu querido Sofá: o isolamento de todo e qualquer convívio social. E mesmo assim acredito eu que o Sofá não estaria livre do seu próprio dono, que é humano e cheio de falhas, ou seja, que também poderia derrubar comida e taças de Tannat.

E no final das contas, O Sofá segue lá na sala com algumas manchas brancas naquela imensidão cinza-azulada dele, igualmente atraente, confortável e me convidando  a "me jogar" toda vez que entro naquele apartamento...

Coincidência...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Futebol, na minha vida


Quase todo mundo que conheço possui algum tipo de bloqueio mental... Tipo conhecimentos básicos em geografia, cozinhar, parar em pé, praticar esportes, pronunciar palavras em línguas estrangeiras corretamente... Mas normal, não dá pra ser bom em tudo...

Eu tenho um bloqueio, as vezes bastante difícil de conviver e ser ignorado. O bloqueio é a Paixão Nacional. É o "circo" do conceito romano-político "pão e circo" aplicado no Brasil. É a razão de viver de desocupados e workaholics. É talvez o único esporte capaz de quebrar rivalidades étnicas e colocar tutsis e hutus no mesmo campo pra uma "pelada". Futebol... Ah, o futebol! Qual outro esporte é praticado em todo e qualquer canto do mundo? Mas, baixando o nível agora... puts, cara, então... não dá. Eu não consigo. Não consigo gostar , não consigo assistir e, mais desafortunadamente, não consigo entender futebol! Bloqueio mental. Ponto.

E olha que não foi por simples negligência.

Quando criança me batizaram corinthiana para agradar o vovô. Claro que pra mim isso não significava grandes coisas, até que me disseram que para ser corinthiana eu tinha que assistir aos jogos de futebol do time e ter a camisa (bem como vestir a camisa, nos dois sentidos da palavra). Jura? Puts... vamos lá então. Jogo na casa dos amigos, da família... que coisa mais chata... E usar a camiseta do Timão? Mas nem a pau... completamente desprovida de estilo e elegância... não dava pra usar com nada! Mas alguma coisa deveria ter de errado comigo então... Todo mundo gostava e eu não... De repente, o problema é o time... fiquei de escolher outro, mas até agora nada...

Copa do mundo. Todas as nações ligadas na televisão, torcendo num clima de rivalidade "X Guerra Mundial" saudável... O sentimento de patriotismo é mais forte do que nunca! Todos defendem seus países com unhas e dentes! Brasileiros são mais brasileiros! Vamos todos torcer e sofrer junto com o time em campo! Xingar o juíz! Fazer um "ôla"! Jogar confeti na rua! Gritar GOOOOOOOOLLLLLL!!!!! Cadê a Talitta? "Oi? Hã? Gol de quem? Ah, o Brasil tá jogando?Poxa...". Hum... o primeiro tempo até que foi, mas o segundo... Prefiro minha parte em Champagne, por favor...

Times, Campeonatos e Jogadores? Eita... LBU, LDB sei lá o quê... Clube Internacional Colorado, Grêmio X, CAP-Atlético Mineiro... ou Paranaense? E o "C" é o quê mesmo? Juventus, Juventude, Copa do Brasil, Brasileirão, Paulista, Gaúcho, Mineiro, Libertadores, Manchester, Celtics, Barça, LA Beckham (huuuummm, o Beckham!), Dentinho, Maicosuel (mas que po*** é essa?), Dagoberto, D´Alessandro, Ri(Bi)charlyson afe... Ah, não. Tudo muito complicado. Pra mim é mais fácil entender o conflito na faixa de Gaza.

E as pérolas? Se dizem que são raras as mulheres que entendem de futebol e que não falam bobagem, imaginam as que não entendem e que possuem um bloqueio mental como o meu? Frequentemente, consigo proferir algo parecido com "por que não passam a bola para aquele de preto?". Ontem mesmo, segundo testemunhas que precisaram espalhar a minha ignorância Brasil a fora, comparei o Arena da Baixada com o Canindé da Portuguesa... o melhor do Brasil com o Canindé... fez tanto sentido na hora...

Futebol nunca significou muita coisa pra mim. Ninguém na minha família é fanático. Nunca nem ao menos debatemos o assunto. E obviamente a minha inclinação natural não vai pra esse sentido. Vou no sentido oposto da massa, como sempre. Não gosto do que todo mundo gosta! Falo bobagem mesmo, e pronto! Não domino o assunto, da mesma forma que quem não conhece vinho fala atrocidades! Não vou ao estádio pra ver homem! Não sento pra ver o jogo fingindo que estou gostando! Futebol para a Talitta é sinônimo para trânsito e confusão perto de casa, arruaceiros na rua, amigos e namorado enclausurados, e muito de-vez-em-quando, comilança na casa da minha mãe.

Ao Brasil varonil, peço desculpas por ser uma cidadã tão desconcertante e atípica. Aos amigos, escusem a minha ausência durante os churrascos de domingo (fiquei sabendo ontem que todo domingo tem futebol na Tv...). Ao namorado, coloco à disposição (sempre esteve!), a minha mais sincera, ignorante e desatenta companhia bem como petiscos. À minha família, já deixo marcada a próxima partida de dominó.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cinema


Adoro filmes. Desde pequena. Houve uma época da minha vida na qual a minha disposição e assiduidade ao cinema e locadoras de vídeos era muito maior do que hoje em dia. Cheguei ao ponto de ser ameaçada pelo namorado a perder a companhia para tal, pois mais dormia durante as sessões cinematográficas do que prestava atenção... isso quando não me vinha aquele ímpeto de, no meio do filme, hum, tergiversar ... Enfim, coisas da vida... Sempre gostei sem muitos critérios. Desde que o filme não fosse dublado, não estivesse inserido nas categorias "teen", e não tivesse a Cameron Diaz e o Rob Schneider (e alguns outros que não vou citar para que o texto não fique cansativo), estava valendo.

Nunca entendi dos aspectos técnicos. Sou uma entusiasta leiga! Sei do que gosto e pronto, da mesma forma que meus clientes "enófilos" gostam dos seus vinhos. É bom ou não é. E acredito que exista uma boa vantagem com relação a essa ignorância toda: pessoas leigas geralmente não se deixam contaminar por críticas alheias, por modelos pré-estabelecidos, por diretores, roteiristas, atores e afins muito consagrados e que logicamente somente conceberiam obras primas. Se você não gostou ou não entendeu é lento(a) ou sem cultura, ou ambos. Por exemplo, já vi uns filmes do Woody Allen que me provocaram nada além de sono. Ah, queridos cinéfilos... já sinto o bafo de vocês no meu pescoço por ter proferido praticamente uma heresia no seu mundo.... Da mesma forma que nem todo vinho francês é bom, nem todo filme do Woody Allen é bacana

E nem todo grande diretor consegue produzir filmes dignos de toda sua grandeza o tempo todo. Agora, me arrisco criticar um filme que vi no último sábado, do Oliver Stone, que aliás já produziu alguns fiascos homéricos... Não acredito que exista uma forma correta de apreciar um filme. Cada um tem sua visão, enfoque e objetivos distintos, que acredito serem eles baseados em preferências e experiências pessoais muito particulares. Eu tenho uma "pequena" tendência a quase sempre analisar o filme pela sua importância sócio-cultural, buscando uma forma de aproveitá-lo no meu pequeno conhecimento sobre relações internacionais.

"W.", aquele filme do fulano mencionado acima, deveria ser algo sobre a vida do presidente mais, digamos, descabido e desnecessário que o maior império capitalista já elegeu (duas vezes). De sua adolescência e fase adulta problemática e afogada no álcool à insurreição evangélica conservadora, George W. Bush Junior, o "Dubbie", o Bushie ou "Bushinho", fez tudo o que fez para, segundo Oliver Stone, agradar o papai. Francamente, não sei da veracidade histórica desses fatos, mas o diretor tenta mostrar por vezes a ignorância caipira do presidente imortalizada nos seus - divertidíssimos/ trágicos - discursos (eita, lembra até um operário aí do ABC paulista), como também a sua essência carente e desesperada por atenção e aprovação paterna.

O filme começa engajado em um discurso político interessante e recente, não precisando ser estudioso da área, mas sim espectador ativo das notícias sobre política internacional e guerras nos últimos 20 anos. É interessante nesse aspecto para aqueles que desejam lembrar como foi o desenrolar da guerra EUA-Iraque no pós 11/09 e os supostos diálogos sobre as estratégias geo-políticas adotadas pelo alto escalão do governo Bush na época. Mais uma vez, não sei o quanto fiel tudo aquilo pode ser, mas nesse aspecto o filme funciona. Deixa claro a negligência e até ingenuidade dos políticos envolvidos e também o quanto a capacidade "miliciana" do Iraque foi subestimada. Lembra que os EUA não estavam, e nem poderiam!, lutar contra a nação iraquiana inteira, pois o seu alvo inimigo era uma pessoa em especial (Osama Bin Laden, e cia.). Outro ponto que achei muito interessante foi terem mostrado o quanto Colin Powell foi estigmatizado injustamente. O papel de Condoleezza Rice estava aparentemente muito bem representado por Thandie Newton, no que dizia respeito à maquiagem, vestuário e cara de cheira-peido. De resto, todos os diálogos da personagem foram...errrr...hum... ridículos. De longe, a pior representação da atriz. Josh Brolin, como diria o namorado, "Meeeeeuuuu Deus...". Ok, os trejeitos, tiques, sotaque e olhar sem conteúdo eram impressionantemente fiéis, mas ao final do filme saí com aquela impressão de "vergonha alheia" com relação a esse ator. Ou talvez a própria figura do presidente era fraca... nesse caso, a atuação pode ter até sido brilhante, sendo que nada melhor poderia ser feito por Bushie... ou quem sabe eu (e + 99% dos terráqueos) já tem uma predisposição a não gostar de Dubbie, e Brolin foi tão fiel, mas tão fiel que me convenceu na pele do presidente e conquistou minha eterna antipatia.

Aí, entre a politicagem toda do filme também aparecem as peripécias da vida pessoal de Dubbie, que a meu ver não poderiam ser mais desinteressantes e banais. A devoção cristã durante seus anos de recuperação do alcoolismo, a conquista e casamento com Laura Picolé de Chuchú Bush, os problemas com os pais, a inveja do irmão... Tudo muito bobinho... tinha até uma trilha sonora de pianinho de Sessão da Tarde em alguns momentos cruciais dos dramas pessoais de Junior, que parecia uma tentativa pífia do diretor de sensibilizar os espectadores! Aliás, se pudesse dizer qualquer coisa a respeito de "tequinicalidades" sobre as quais ainda não tenho propriedade nenhuma para falar, diria que a edição foi bem fraca e os "closes" de Bushie rezando com seus comparsas eram no mínimo trágicos.

Mas aí, não ficou claro o que é que O. Stone queria com o seu filme... se era fazer uma sátira do presidente, se era fazer um documentário sobre a vida do mesmo, ou se era um draminha de quinta... a minha opinião é que ele, o diretor, se perdeu em algum lugar aí no meio. Ou quem sabe eu que fui lenta demais para perceber que a vida de W. era o que era, uma esculhambação generalizada e crente. Resumindo, Oliver Stone conseguiu fazer na minha opinião um filme tão ruim e confuso quanto o próprio presidente. 

Vai entender...


 

sábado, 28 de março de 2009

Desisto eu de mim mesma?

Faço 1/4 de século este ano. Daí é nessa época que você começa a fazer uma balanço na vida. A verdade é que, apesar das brincadeiras, nunca me importei muito com a idade. Sempre me acharam "muito madura e muito precoce", seja lá o que isso queria dizer. A verdade é que eu sempre fui... eu.
Lembro da minha infância com muita saudade. Criança feliz, amada pelos pais, me divertia com muito pouco, dava risada de tudo e de todos... Sem complicações. Sem preocupações. Bastava um pincel, tinta e papel e eu me tornava a pessoa mais realizada do mundo. Acordava muito cedo, tomava café com o pai, dava um beijo na mãe antes de sair para a escola, acompanhava o irmão até a entrada do maternal. Estudava. Esperava a mãe ir buscar na escola. Voltava pra casa. Hora do almoço. Hora de brincar. Hora de brincar na casa das amigas... Hora da natação, da aula de arte, de dança... mas não tinha obrigações. Menina educada, obediente, criativa, inteligente, bondosa, esforçada, amiga. Mas como nada era perfeito, sabia muito ser geniosa e mimada... Tinha facilidade para aprender quase tudo que quisesse fazer, mas se fosse assim tão complicado, desistia para fazer algo mais fácil e que eu pudesse fazer melhor.



Entra a adolescência e a minha batalha contra os hormônios. Aos 12, 13, 14, 15 anos... Escola, cursos de inglês, de espanhol, aula de artes, hipismo... Preferia ficar sozinha, era essa a verdade. As amigas continuavam lá, mas não sei... eu não entendia elas. Não me entendia... tinha alguma coisa de errado comigo, porque não gostava das roupas que todo mundo usava, nem das músicas, nem das novelas... não me restava quase nada. Aí eu tentava... Mas o resultado foi sempre muito desastroso. Acabava virando um espectro de mim mesma, com uma aparência que não era minha, com roupas que não eram minhas... até que um dia resolvi fazer do meu jeito. Tomei coragem. E foi muito mais difícil. Recriminação, ridicularização. Garota estranha, feia, sem jeito, sem tipo... "por que não se esforça para melhorar essa aparência?". Foi aí que aprendi a defensiva. Não aceitava os clichês, e não tinha ninguém que me provasse o porquê o de todo mundo era certo. Brigava demais, nossa senhora... aí, mais recriminação. Me sentia muito sozinha. Ninguém partilhava das minhas idéias. Eu sabia do que podia fazer, até onde podia chegar. Tinha forças, tinha coragem. Enfrentava sem medo nem dó. Mas doeu demais... ficou muito mais difícil... aí era melhor mesmo ir para algum lugar onde ninguém ia me conhecer. No qual não precisasse falar com ninguém. A única coisa que pedia a qualquer força cósmica que pudesse atribuir algum tipo de grandeza era que eu fosse EU novamente. Só isso. O que não aconteceu, porque ainda estava muito machucada. A defensiva virou parte da minha personalidade. Mas sempre gostei de ficar sozinha... não era nem que não ligava, simplesmente... curtia... Mas não sinto saudades. Nem da escola, nem dos amigos, nem de nada. Foi a época da pressão social... "decida-se, resolva-se". A impressão era que qualquer decisão seria definitiva. Aprendi assim. Momento crucial. Daí pra frente, todas as decisões viriam carregadas de consequências. Eu tinha 16 anos, e engoli a seco. Como os adultos deveriam fazer, não era?

Aprendi a disfarçar a defensiva em outras coisas. O novo eu pós-adolescência era alguém muito, mas muito confiante. Entrei na faculdade tendo certeza do que queria. Era a líder nata. Tudo era muito fácil. Os desafios foram mais no campo dos relacionamentos interpessoais do que qualquer outra coisa. Ninguém me dobrava, ou me tocava, ou me emocionava. A defensiva era muito mais constante. Experiências negativas só eram absorvidas, e nunca esquecidas. Mas eu finalmente tinha a cara que tinha que ter. O cabelo ficou da forma que sempre quis que ficasse. Sem muito esforço. A pele ficou boa, do jeito que sempre quis que ficasse. Só precisou de paciência. As roupas e idéias era minhas e só minhas. Esta deve ser a época da vida na qual tudo de repente fica tão claro! Era a fase da invencibilidade. A minha energia era invejável, ninguém tinha o mesmo pique. A preocupação era estudar para conseguir um trabalho, e trabalhar mais e mais e mais... A mais inteligente, a mais versátil, a mais descolada. Arrumava tempo pra arte, pra música, pra dançar, pra ver filmes. Fazia o tempo render. Respostas na ponta da língua. Multi funcionalidade. Balada o tempo todo... facilidade para conhecer pessoas... Nossa, conhecia muita gente... Aquela época da vida que você consegue ir a todas as festas... a época do desapego às coisas e pessoas. Bons tempos...
A faculdade deixou saudades por um tempo porém. Mas acho que agora já passou... O estudo continua sendo muito importante na minha vida, mas as preocupações são outras... É a época da reflexão... penso então em tudo que fiz, e mais ainda no que poderia ter feito... Se tivesse tido mais tempo as escolhas teriam sido diferentes... queria tanto ter feito aquilo outro, queria poder voltar atrás. O trabalho agora é mais importante... me esforço todos os dias, mas ainda não é o suficiente. Está longe do ideal. Muito longe... mas parecia que eu queria tanto isso... Manda e-mail, faz sugestão, carta de pós venda... todos os dias, o dia todo. Cabelo arrumado, maquiagem, roupa social. A cozinha virou escritório, as panelas, computador e telefone. Não sinto falta das panelas. Pouco tempo pra livros, pra filmes, pra música, pra arte. Nem lembro mais do que gostava, mas quando lembro é tão bom... Quando foi que isso aconteceu? Menina chata, ciumenta, sem conteúdo, sem graça, sem criatividade, sem assunto, chorona, dependente. Não gosto desse meu eu. Não sei também como me livrar disso. As vezes é preciso que um estranho me lembre do meu potencial e me diga que não posso desistir de mim mesma. É a época do "cadê minha auto-estima mesmo?".Os amigos são tão poucos agora, mas o que ficaram são de verdade. As vezes precisam se esforçar pra me reconhecer... E quando reconhecem dizem " mas que saudade de você! vê se não some mais...".
E eu, me disseram a pouco que preciso me esforçar mais. Me esforçar mais para estudar melhor. Me esforçar mais para reencontrar os amigos. Me esforçar mais para controlar o temperamento... Me esforçar para voltar a fazer trabalhos manuais... Porque quando adulto, tudo fica mais difícil mesmo. As coisas simples não são tão simples assim mais. E eu quero tanto... e estou me esforçando... uma recaída aqui e outra alí e as vezes dá vontade de desistir... deixar pra lá mesmo, está tudo tão difícil... por que tem que ser tão difícil assim? Mas quando eu tento, é tão bom... e eu sou eu novamente... Só tenho que tentar mais vezes, me esforçar para lembrar que eu tenho que me esforçar. Que nada que é bom vem fácil. Que os relacionamentos que valem a pena, que são verdadeiros, dão trabalho. E que a única coisa que não posso fazer é desistir de mim mesma.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Novela dos outros

Cara conhecida,

Digo "cara", porque gosto de fazer uso da educação e "conhecida" porque não te considero uma amiga há muitos anos já. A cada dia que passa e tenho notícias suas fico injuriada. Pelo jeito ninguém nunca teve coragem de te falar nada na cara. Nunca soube ao certo o porquê dessa cautela toda, mas ultimamente acredito ser por dó. Ah, você teve um final de adolescência conturbado e um início da vida adulta tendo que lidar com assuntos que iam muito além do seu grau de maturidade. A rainha da sociedade medíocre na qual crescemos padeceu, não foi?

Claro que não, porque seus pais te protegeram, da mesma forma que qualquer um com as condições deles protegeriam. Não que você mereça. 

Porque a verdade é que você não merece. Tudo falta em você. Pra mim você é uma pessoa essencialmente escrota. Hum, acho que esse adjetivo ninguém nunca tinha usado para descrever você. Você é sim uma pessoa escrota, desprovida de qualquer senso de elegância, educação, finesse e diplomacia.

Acha que não ter "papas na língua" é uma qualidade, não é? Ah minha cara... isso é sim um defeito dantesco. Só mostra o tipo de pessoa vulgar que você é. Sim, porque a sutileza dos modos é algo que vem de berço, mas infelizmente você não teve ninguém que ensinasse isso para você. Cada vez que você abre a sua boca, é como se uma diarréia verbal fosse jorrada a cada pobre espectador seu.

E eu aqui. Tento ser a pessoa mais delicada e compreensiva do mundo, cada vez que tenho a infelicidade de te encontrar. Se da última vez que nos encontramos eu tive alguma consideração por você, foi na verdade pela sua família. Pela amizade que seus pais mantém com os meus pais.
Mas ao contrário de mim, você fez questão de me atacar de todos os lados. Todos os seus comentários foram rudes e desnecessários. Parece que cada vez que você encontra alguém que te ameaça de alguma forma, você precisa se auto afirmar, não é?

Diz a todos como você está bem, e linda, e poderosa, e namorando, e apaixonada, realizada profissionalmente... Mas faz questão de lembrar das minhas "humilhações" pessoais no meio de uma reunião social. Claro, porque sabia que a última coisa que eu faria seria te colocar em uma posição ruim, na frente de tanta gente amiga.

Pois fique sabendo que agora eu aprendi a lidar com gente como você. Eu uso o princípio da reciprocidade. A cada vez que você disser uma grosseria, eu vou fazer questão de te lembrar que você está sendo grossa. Já que você não tem consideração, eu também não terei. Não tenho mais dó de você, porque você não merece nenhum sentimento meu. Você não merece que eu te dirija a palavra, nem ao menos que eu olhe para você.

Os seus amigos não são amigos de verdade. Querem te ver pelas costas. Opa, eu acho que dessa você não sabia... sim, te acham muito infantil, insuportável e narcisista. Deve ser muito ruim não ter amigos.

Minha cara... a sua vida não me interessa, então pára de querer me contar! Nem eu nem ninguém se importa com o que você faz ou deixa de fazer na sua existência mal resolvida e insignificante. A sua vida não é uma grande novela das oito a qual todos assistem e sabem e lembram de detalhes.

Ninguém se importa. Ninguém nunca se importou. Ninguém quer se importar. Me deixa em paz, tá?

E eu, que odeio novelas...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Vinho

Estou tentando lembrar como foi que começou meu interesse por vinhos. Acredito que não teve nada de romântico como muitos contam sobre si por aí, em uma linda viagem à França, em grandes heranças de família, consumindo somente os melhores.

A minha, como gosto de idealizar, foi algo simples. Nasceu de uma curiosidade infantil, pois meu pai ao construir a nossa casa mudou completamente a planta ao fazer uma adega subterrânea para acomodar os seus vinhos. Meu pai entretanto não é grande conhecedor. Seu conhecimento é simples, sem vícios, sabe do que gosta e ponto. O que na minha opinião o torna mais sensato do que a maioria dos enófilos pois é desprovido de preconceitos. Prova de tudo e encontra a beleza de cada um. Dá igual importância a tintos, brancos, rosés, espumantes e licorosos, sabendo que cada uma tem seu lugar, seu dia, sua hora, sua comida.

Eu adorava descer naquela adega. Quando criança achava que era um mundo misterioso, pois ninguém era autorizado a mexer nas garrafas de meu pai. As prateleiras, as taças, a decoração... era tudo muito diferente.

O consumo em família era limitado aos infantes da seguinte maneira: primeiro, vinho diluído com água e adoçado com açúcar, depois espumantes para brindar em ocasiões especiais e a frutada sangria. Não se conhecia seu verdadeiro valor histórico e artístico. Era somente uma bebida comum e apreciada por todos. Não teve nada de tão extraordinário beber um espumante no meu aniversário de 15 anos em casa, quando para minhas amigas era simplesmente um absurdo e também uma grande farra!

Pouco antes de entrar na faculdade, tive meu primeiro contato com o mundo da enologia. Foi na serra gaúcha, em uma das viagens anuais ao Rio Grande do Sul que minha família costumava fazer. A indústria de vinhos finos finalmente começava a despontar no Brasil. Foi a primeira vez que ouvi falar em análise técnica do vinho, de aerar, discutir sabores, aromas e impressões. Me interessei... não iniciei estudos profundos, mas definitivamente passei a beber mais vinhos...

Já na faculdade, a matéria enologia entrou para a grade curricular obrigatória. Como o meu interesse para a área de alimentos e bebidas aumentava a cada ano, comecei a buscar cursos e literatura a respeito. A partir daí, ingressei em outra faculdade tendo em vista aprender mais e quem sabe um dia trabalhar nessa área. Tive excelentes mestres. As aulas eram todas uma viagem, um banho de cultura e história! Entretanto, a minha faculdade sendo pioneira no assunto possuindo de fato os melhores profissionais, esses se revelaram muito arrogantes. A impressão que transmitiam era a de que a pretensão e a esnobação desenfreada eram características necessárias para se tornar um profissional especialista em serviço e crítica de vinho. Talvez tenha sido esse o motivo que me fez adiar trabalhar nessa área durante tanto tempo... Bom isso e a pouca idade. Por algum motivo, conhecimento de vinho nesse país são restritos à idade e sexo. Ou seja quanto mais homem e velho você for, mais deve conhecer sobre o assunto. Favor calcular o respeito adquirido então por uma jovem de 20 anos...

O tempo foi passando e eu sempre dei um jeito de colocar os vinhos no meu trabalho, até que consegui fazer dele o meu trabalho atual. Mas todos os dias eu me pergunto, pra que tanta pretensão? Aqui na importadora eu vejo de tudo. Grandes conhecedores e grandes ignorantes sendo os últimos muito mais abundantes. E isso porque informações a respeito estão mais disponíveis e acessíveis do que nunca. Enochatos eu desprezo bem como os fulanos que sentam na minha mesa e dizem "veja bem, minha cara, deixa eu te ensinar uma coisa: vinho de "corte" é um vinho ruim que tentaram melhorar com outra uva".

Acho que o brasileira encontra no vinho um excelente antídoto para o seu ego frágil, ou como diria o bofe, para a "síndrome de coitadismo". É um assunto difícil, elitista e romântico e portanto faz melhor aquele que algo conhece. Conquista a garota, a atenção e apreço de todos na mesa, status. Te dá o direito de humilhar o garçom. E se o garçom acha que entende de alguma coisa, pode ter certeza que vai descontar o dele. Nossa... a bebida dos deuses e da discórdia.

Contudo, o vinho continua sendo algo simples para mim. Hoje eu conheço melhor e reconheço o seu valor. Sei um pouquinho de suas complexidades e nuances. Valorizo mais. Não discuto com a ignorância, não critico em vão, explico quando me perguntam e simplesmente amo quando posso provar aos outros que seus preconceitos e conhecimentos são tão equivocados quanto suas gravatas e scarpins.

Gosto de uma taça em casa para refletir, mas prefiro compartilhar. Harmonização é meu forte e como meus vinhos, descomplicadas! Não gosto de padrões, generalizações, tendências. Não tenho um vinho preferido, mas sim um especial para cada ocasião. Não enumero aromas exóticos. Não fico rodando a minha taça como se fosse um tique nervoso. Não vanglorio vinho caro.

Meu lema é o seguinte: vinho é mais simples do que você diz e mais complicado do que você sabe.