quarta-feira, 17 de junho de 2009

No ônibus


Tem dias que eu fico parada no ponto de ônibus uns 20 minutos, só para não ter que ficar andando pra lá e pra cá no metrô. Tem um ônibus que me deixa bem na frente de casa... é só atravessar a rua. Assim, por pura preguiça mesmo... O trajeto leva o mesmo tempo, e eu gosto de ficar sentadinha lá pensando na vida... sento em um canto, fico olhando a paisagem e as pessoas de São Paulo pela janela, divagando...longe...longe...

Mas não é todo dia que dá pra pensar na vida...

Ontem por exemplo foi um dia que eu entrei no raio do ônibus e resolvi que ia sentar em uma das cadeiras não reservadas que ficam antes da catraca... apesar de estar vazio, tive aquele pressentimento de que estava cometendo um grande erro.

Consegui divagar por uns 5 minutos. Eis que entram duas figuras na minha vida. Uma mãe, jovem, com ares de cansaço, e seu filho, com uns 4 anos no máximo. Sim, aí de todas as cadeiras não reservadas vazias antes da catraca existentes dentro do ônibus, eles resolvem sentar bem do meu lado. Ou melhor, a mãe sentou o filho na cadeira à minha esquerda e ficou de pé ao lado. Eu, muito educada que sou, prontamente levantei e ofereci o meu lugar à ela. Ela recusou. Ofereci novamente, mas ela disse que preferia ficar de pé. Tudo bem, a minha preguiça era tanta que resolvi que ia ficar lá mesmo. Erro número 2. Sorri simpaticamente para a criança, e depois para a mãe com aquela cara de "que gracinha...". Baita mentira.

A criança ao meu lado estava comendo pipoca. Mas comendo pipoca daquela forma que criança come... derrubando para todos os lados, enfiando toda a mão dentro da boca (por que raios criança precisa enfiar a comida lá dentro da boca? É pra ter certeza que vai engolir???), e limpando a mão no assento do ônibus. Tudo muito higiênico.

A mãe, muito pacientemente pedia : "(...) querido, não coma as bolinhas... olha que você vai engasgar!". As bolinhas a que a mãe se referia eram os grãos de milho não estourados. Aí, a criança, já demonstrando os primeiros sinais de possessão do demo no corpo, responde :"NÃO VOU NÃOOOOOOOOOOO". Ok, coma todo o milho e engasgue.

Não deu 5 minutos e o gênio do meu lado começou a tossir. Sim, tossia e enfiava a mão dentro da boca novamente e dizia : "Manhê! Cof cof cof! Grudou tudo! Cof Cof (na Talitta)! Manhêeeeeeeeeeeee!!!! Aaaaaaaaaaahhhhhhhhh!!!! Aaaaaaaaahhhhhhhhh!

"Querido, não faça isso! Quando mamãe chegar em casa ela limpa a sua boca pra você!". E por que é que a mãe fala de si mesma em terceira pessoa? O que se seguiu foram mais engasgos, tosses forçadas e chororô até que o Einstein do meu lado conseguiu se desengasgar sozinho com aquela mãe suja. Ficou tão satisfeito consigo mesmo, que resolveu que queria ficar de pé no ônibus. "Não, meu bem... você vai cair", dizia a mãe. "NÃO VOU NÃOOOOOOOOOO!!!!". Eu deixava cair. Deixava porque a mãe colocou a criança de volta no banco, e essa completou o processo de possessão do demo e começou a se debater, a chutar o banco da frente, a me chutar, a gritar... e a mãe pacientemente "Olha a moça... você está invadindo o espaço da moça!". Aí, eu dei aquela risadinha sarcástica de "Não, imagine...". Baita mentira reloaded.

Foi aí, que num acesso de raiva, a criança possuída pulou do banco e gritou "EUUUU QUERO LEVANTARRRRRRRR!!!!". Pois bem. Levantou, o ônibus deu aquela brecada e ele enfiou a testa na ferragem no banco da frente. Bem feito. Começou a chorar que nem um louco. Por que não damos o seu certificado de PhD então, gênio?

Em um ponto qualquer da Angélica, a mãe e filho urrante saltaram do ônibus. Fiquei extasiada durante alguns minutos, tentando de me recuperar dos chutes e tímpano esquerdo estourado por causa do escândalo que presenciei. Para então voltar ao meu breve estado de meditação a caminho de casa, enquanto olhava a paisagem e as pessoas de São Paulo...

Coisas que só acontecem dentro de um ônibus...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Adoro desafios!


Trabalho é uma coisa engraçada... principalmente quando o contato com o público é muito frequente, como no meu...

Utilizando um conceito de uma grande amiga, pude classificar o meu dia hoje no trabalho como "Um dia de desafios". Isto é, só servicinho de corno. Não me entendam mal... eu adoro o que eu faço!

Mas enfim, é incrível como clientes sem noção conseguem se reunir todos num dia só e atazanar uma pessoa X. Hoje, foi o meu dia. Mas eu não discrimino. Trato todos com a mesma cortesia. Mas para ilustrar, tive os seguintes:

- Uma cliente que sabe bem que temos um site e catálogos com todos os nossos produtos e ainda assim faz questão que eu passasse a listagem completa dos vinhos espanhóis por e-mail... Não seria problema se não fossem mais de 300 produtos. Precisei copiar um por um do sistema.

- Um velhinho que ficou tão feliz, mas tão feliz com meu atendimento, que ele passou a tarde toda me ligando de 10 em 10 minutos para falar dos vinhos que ele já provou, dos que ele quer provar, dos que ele viu no site...

- Um estudante de administração GV que me aparece com um livro nada mais e nada menos intitulado "1001 vinhos que você precisa provar antes de morrer", com a missão de que eu deveria encontrar 1 rótulo lá dentro com bom custo-benefício, e de preferência da mesma safra.

Olha, atendi todos com o maior prazer do mundo... Mas, puta merda... Servicinho de corno esses! 

Ou melhor, adoro desafios!