sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pedintes

A quantidade de pedintes em São Paulo, a cidade mais rica da América Latina, é comparável a Bombaim, Maputo, sei lá... É absurda. Tanto que o paulistano já está tão habituado que, ou não os enxerga mais ou já adaptou a sua rotina tendo sempre moedas disponíveis, comida, peças de roupas que não estão mais em uso, entre outros, para doar quando os faróis estão vermelhos.

Recentemente saiu uma reportagem na Veja SP sobre a "profissão mendigo", na qual mostraram que muitas pessoas se aproveitam da boa vontade dos cidadãos para fazer cara de dó por aí e ganhar 8 salários mínimos mendigando. Pois é. E "trabalham" somente 4 horas por dia.

Eu me recuso a dar dinheiro na rua. É sempre preferível ajudar alguma instituição idônea do que dar dinheiro na rua, que será usado para comprar drogas e álcool. Cada um faz o que quiser da vida, ok... Mas eu não financio essas coisas. Existem abrigos na cidade, mas muitos preferem continuar nas ruas onde são "livres" para fazer o que quiserem.

A Rua Rocha é minúscula, mas tem uma quantidade incrível de mendigos por quarteirão. Bom, na verdade a rua só tem 1 quarteirão . Existem 5 mendigos: 4 homens e 1 mulher.

Os homens se limitam a encher a cara de cachaça de 1 real, espalhar lixo e tranqueiras que arrumam por aí e, claro, a pedir dinheiro e/ou comida. Te xingam quando você recusa.

A mulher, deve ter 1,50cm ou menos de estatura. Tem um pé machucado que ela enrola em um saco de lixo. O outro ela calça com meia e chinelo de dedo. Usa sempre um chapéu cata ovo também. Anda pra cima e pra baixo com um carrinho de feira que ela consegue colocar uma quantidade sobre natural de papelão empilhado.

Todos os dias ela passa aqui na frente e recolhe o máximo que ela consegue carregar de papelão. Muitas vezes faz duas viagens para recolher todo o nosso papelão. Tá sempre rindo e falando sozinha. Nunca a vi de cara feia. É uma verdadeira guerreira... Não se abala. Por mais simples que possa parecer o seu trabalho, ela se recusa a ficar sentada em uma esquina esperando a vida cair na cabeça dela. Ela própria se ajuda e ainda contribui para uma cidade mais limpa vendendo para reciclagem.

Todos os dias ela faz a mesma coisa. Não falta um. E depois dizem que mulheres são "o sexo frágil".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sinceridade

Nada como a sinceridade nas pessoas.

Ouvi outro dia em uma café duas gordinhas conversando:


Gordinha 1: " Eu sou gorda porque na verdade tenho ossos largos... o tipo físico da minha família também é assim... todos temos corpão, muita massa muscular... nem é gordura sabe... é massa mesmo... E tenho um problema crônico de tireóide... Tento, tento, tento emagrecer, mas não tem jeito... já fiz todo tipo de dieta. É tudo culpa da tireóide."

Gordinha 2: " Hum... eu sou gorda porque como demais mesmo. Simples assim."

Simples assim. No excuses.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pretensão

Desenvolvi recentemente um certo afeto pelos dicionários. Mas não a ponto de desejar ganhar algum de presente de Natal.

Pretensão: s.f. Ação ou efeito de pretender. / Vontade ambiciosa. / Presunção, vaidade. / Aspiração infundada a talentos, honras etc. (Mais us. no pl.)

Nova epifania minha: pessoas são acima de tudo pretensiosas.

Quem pensamos que somos para julgar os outros? "Fulana é uma anta", "ciclano não merece estar onde está", "beltrano não merece o que tem", "aquele lá não sabe o que é um problema de verdade", "todo mundo é burro menos eu", "joga pedra na menina do vestido vermelho curto".

Eu já falei em vários momentos da minha todas as frases relacionas acima (menos para jogar pedras nas pessoas de vestimentas supostamente inadequadas). Ok então, reitero o que disse. I take it all back. Hora de reavaliar as minhas opiniões.

Primeiro que todo mundo é muita gente. E se alguém fala que todo mundo é burro exceto quem me diz, duas coisas para você: mude as suas amizades e/ou o seu círculo de convívio. Pare de ler o que te incomoda e ofende. Escute o que quiser, não o que mandam você escutar. Diversifique. As opções estão aí. Levanta a bunda do sofá, pare de reclamar e vá fazer alguma coisa que possa te tirar da inércia medíocre que é a sua vida.

Segundo: acho que a vida é feita de escolhas. Você escolhe as coisas que quer ler, que quer assistir na televisão, escolhe seu amigos, as baladas e bares que frequenta, o tipo de alimentação que quer ter, as roupas que usa, as pessoas que se relaciona.

Gosto não se discute, nem se lamenta. Se respeita. Se as pessoas preferem mídias sensacionalistas que agregam pouca ou nenhuma cultura às massas...nada a ser feito. Já pensou que a ignorância dos fatos faz muita gente feliz? Isso não as faz piores ou melhores que ninguém. Só, diferentes. Muito me admira a incapacidade do homem de respeitar as opiniões alheias. A intolerância com relação as diferenças culturais e sociais. Por que não celebrar a simplicidade?

A troco de que, meu Deus? A velha e famigerada auto-afirmação..." Eu sou, eu posso e eu tenho tudo melhor que você." Tá, legal... bom pra você... e daí? Foda-se. Quem tem mesmo geralmente não precisa sair falando...

Tenho eternas crises de identidade... A cada ano, semestre, trimestre tenho uma idéia nova, uma vontade diferente, uma opinião. Minhas opiniões mudam, se adaptam. E isso não me faz melhor ou pior que ninguém. Só... diferente. Não acho que preciso ser e fazer uma coisa só para o resto da minha vida. Nem usar as mesmas roupas. Nem frequentar os mesmos lugares.

Já tive muita certeza do que queria ser e fazer. Hoje, não sei mais de nada. Engraçado que, as pessoas mais interessantes que conheço e as mais aparentemente estáveis também não sabem. Preferem sempre manter, isso sim, a cabeça aberta a possibilidades.

Então, vejo como pretensiosos todos aqueles de opiniões imóveis. Que criticam o modo de vida moderno como algo burro e vazio. Que acham que são "as pessoas certas" para formar opiniões que deveriam ser seguidas por outros. Que acham que são exemplos do bom gosto. Que acham que a vida que levam é a que todos deveriam levar e que essa sim é a fórmula para a felicidade.

Aliás, a definição de felicidade não poderia ser mais subjetiva. A definição de caminho certo ou errado, já ficou há muito tempo obsoleta. Aliás, quem define? Quem são os "formadores de opinião"? E porque as opiniões dos formadores de opinião são tão abrangentes assim a ponto de serem considerados formadores de opinião?

Só me ocorre uma coisa para as questões acima: pretensão. Pura e simples pretensão.