sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ajudai o próximo

Essa me foi contada por um amigo.

Dia desses ele presenciou uma cena bem medíocre no metrô. A cena era aquela típica que paulistano está acostumado: caos na hora do rush, metrô lotado, gente mal educada.

Disse que viu um daqueles ajudantes do metrô andando com uma senhora cega, ajudando-a a entrar no metrô e a encontrar um assento seguro para a mesma. Só que encontrar assento seguro para uma cega no metrô no horário de rush é o mesmo que encontrar Coelhinho da Páscoa, Papai Noel e Saci Pererê e não necessariamente nessa ordem. Qualquer assento estava bom para que a pobre ao menos chegasse inteira ao destino.

O ajudante pediu com gentileza para que uma mulher cedesse o lugar dela para a cega, e eis que a uva responde:

" - Os assentos reservados são do outro lado."

Sim, e os assentos reservados estavam lotados. Até aí, nenhuma novidade. Não se pode esperar cortesia, educação e bom senso de ninguém hoje em dia, pois viraram conceitos totalmente abstratos para a sociedade moderna.

O bacana que ele me contou foi que a lady que muito graciosamente não quis ceder o lugar dela para a cega estava lendo uma revista intitulada "Ensinamentos Bíblicos".

Eu não sou religiosa. Mas se dentro daquela revista não tivesse algo escrito como "Ajudai o próximo", então não sei o que é que esse povo aprende em revistas de religião.

Como me disse um dia um bêbado lúcido nas altas da madrugada pós balada num bistrô francês: A hipocrisia rege o mundo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Na feira

Terça-feira é dia de feira atrás da Rocha. Eu tinha um ritual de terça-feira que era sempre, sempre e sempre almoçar pastel com caldo de cana na feira. Mas por conta da vaidade, a minha cútis não permite excesso de comida gordurosa então o pastel foi preterido pelas saladinhas daquele kilo cachorro que tem na Itapeva.

Enfim, eu ainda vou à feira mas somente para fazer compras. Eu fui escrava da cafeína durante muitos anos e a cafeína me rendeu, além da criatividade atual, muita rangeção de dentes e insônia. Portanto substituí o cafézito por infusão de ervas. E as ervas precisam ser frescas. E ervas frescas eu só acho na feira.

Bom, dia desses eu saí do kilo com a colega Aline e marchamos rumo à feira. Durante o caminho eu fui reclamando da vida. Afinal, nós sempre conversamos de tudo e mulher adora reclamar. Mas eu disparei sobre meus "problemas" bem enlouquecida:

"- Afe, briguei com meu irmão ontem.
- Ah é? Por que, coitado?
- Ele é folgado. Chega em casa e se joga no sofá, suja louça, nunca lava nada, e eu sempre falo "Jr. lave a louça" e ele fala que vai lavar na hora e quando eu acordo a louça continua lá e nesse calor a sujeira fermenta e fica um cheiro horrível na cozinha e junta bicho e formiga e bolor e os pêlos! Não aguento mais ver pêlos de saco pela casa...
- Nossa, tá muito quente Talitta...
- ... eu passo aspirador todos os dias pra não ter que ficar vendo pêlos jogados pelo chão...
- Talitta, não estou aguentando de calor...
- Eu falei que não precisava vir se não quisesse. Enfim, eu tenho que lavar a cozinha e o banheiro sempre sozinha com dois sujando, e eu já ensinei ele a lavar tudo e... Merda. Esqueci que a feira está indo embora mais cedo. Será que vou achar cidreira?
- Se você ir logo vai. Eu falei pra não ficar embassando no almoço.
- Eu esqueci do horário, meu! Aiaiai, mas o que vou fazer sem a cidreira? Que droga viu... porque eu tinha que esquecer da cidreira, porque você sabe que eu só acho a cidreira aqui com aquela tiazinha mal humorada ou então com o fulano lá da frente e...
- AH, CALA ESSA BOCA E ANDA LOGO!"

Ui. Horrorosa.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O marido

Eu tenho uma amiga que é praticamente meu marido. Claro, não no sentido literal.

O marido chama Ana, e ficou morrendo de ciúmes porque ela nunca foi citada. Então vou citar.

Apresentação
Ana é uma ex-patricinha de Jundiaí. Tem classe, boa educação e família, mas tem também um vocabulário de caminhoneiro contraditório. Aliás, eu devo a ela o meu linguajar chulo quando surto. Ana me ensinou a falar palavrões.

Como nos conhecemos
Ana e eu nos conhecemos quando fomos trabalhar do WDW em Orlando. Ela de gravata e eu de echarpe no pescoço. As duas com cara de nojo. 

A história de amor
Não, não foi amor à primeira vista.
  Quando chegamos a Orlando nós precisamos nos agrupar para formar "casas". Eu não conhecia ninguém, nem a Ana. Ou seja, sobrou para morarmos juntas. Nos juntamos com mais duas pessoas estranhas do grupo e formamos uma apartamento.
  Ana e eu dividimos o mesmo quarto. Ana se irritava muito com a minha bagunça, achava que eu era estranha e dizia que eu roncava. Eu achava que ela era patricinha mesmo, tinha muitas malas pelo caminho e TOC de limpeza. Conversa vai, conversa vem, depois de 1 mês, percebemos que apesar de termos estilos diferentes éramos retardadas iguais! Tivemos mais 1 mês juntas nos Esteitis para curtir e falar muita bobagem.
  Perdemos um pouquinho de contato quando voltamos de viagem. Ana namorava ,  o fulano dela não gostava de se misturar e também não gostava que ela se misturasse (principalmente com gente estranha como eu).
  Algum tempo depois, Ana terminou o namoro, surtou, saiu do emprego no hotel que ela trabalhava,  arrumou outro traste pra namorar, surtou de novo, foi fazer gastronomia em Flores-da Puta que o Pariu Onde o Judas perdeu as Calças-Cunha e quando voltou precisava de casa, comida, roupa lavada e emprego em São Paulo. Bom, eu dei casa e emprego porque quem tem TOC de limpeza é ela e deve lavar suas roupas melhor que eu. E eu não cozinho para recém formados em gastronomia por que é muita folga. O emprego foi no restaurante que eu trabalhava e foi aí que começou o casamento. Estávamos sempre juntas... em casa, no trabalho, na balada. Aliás, tem gente que até hoje acha que somos um casal de verdade (rá-rá-rá!). 

Ela cuida de mim e eu cuido dela. A gente se completa: ela mais calma, paciente e amigável . Ana gosta de cores sóbrias, combinações clássicas e organização filosófica. E eu sou mais xiliquenta, explosiva e prática. Não combino nada com nada, gosto de tudo coloridjiu e não sei limpar a minha casa como ela. (PARÊNTESES AQUI: ela falou de como lavar roupa outro dia e eu fiz cara de paisagem como se fosse tudo muito óbvio para mim como é pra ela... mas na verdade foi uma revelação). Ah, eu tenho uma audição seletiva que eu sei que ela mooooooorre de inveja! Começou aí também uma espécie de simbiose: a Ana começou a se vestir de forma estranha e eu comecei a usar salto e maquiagem. Brigamos feio de verdade uma vez só, que eu me lembre. 

Hoje em dia
Não mudou muita coisa. A gente se mudou pra outro prédio, cada uma no seu apê (no mesmo prédio). A Ana tem uma gata que divide a minha atenção agora. É Paçoca pra cá, Paçoca pra lá. Teve um dia que eu fui até o apartamento dela roubar um DVD, mas avisei antes. Aí ela me disse:

"Viu, se você quiser, passa lá em casa e pega a Paçoca. Eu pego ela de volta a hora que chegar do trabalho."

Eu disse que minha audição era seletiva. Ou seja, presto atenção no que quero e quando quero. Ana disse "se você quiser". Enfim, tava um calor da porra nesse dia e meu apê não tem grades de proteção pra gata não se suicidar. Ou seja, eu tinha que pegar a Paçoca, fechar as janelas e fritar no meu apartamento. Hum, não obrigada.

Lá pelas 23h00, ouço alguém batendo na minha porta. Era Ana e Paçoca. Eis que ouço:

"- Sua desnaturada! Tá vendo Paçoca? Sua madrinha é desnaturada! Te largou sozinha em casa!
 - Sim, tá muito quente. Se eu deixasse as janelas abertas a gata ia se jogar. E você disse se eu quisesse... eu não quis. "

Ou seja, ia brigar comigo de um jeito ou de outro.

Recentemente eu descobri que, em nosso contínuo processo de simbiose, Ana aprendeu a dar xilique em público. Estávamos na balada e um bêbado bem sem noção se aproximou dela. Geralmente ela dá um risadinha, agradece os elogios e sai de fininho. Mas baixou a "talitta" nela e eis que ouço:

"Aaaaaaaaahhhhhhh!!! Aaaaaaahhhhhh!!! Sai daquiiiiii!!! SAI DAAAAAAQUIIIIIIIIIIIIII!!!"

Miga... Que orgulho de você!

(Tá meu bem... agora briga comigo porque eu te esculhambei! Rá-rá-rá! Se quiser romance, compre um livro!)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Bizarrices aleatórias do dia a dia

Vez ou outra as colegas e eu resolvemos variar um pouquinho, sair dos restaurantes por quilo e ir almoçar no Shopping.

Um dia desses fomos ao Shopping três colegas e eu. Duas situações divertiram:

Situação 1
Viemos o caminho todo falando mal de homens (mais especificamente do corno corneteiro, já citado aqui previamente) e o assunto evoluiu para homens em geral. Uma das colegas ficou tão emputecida que se deixou levar pelo assunto e desabafou (bem desabafado) toda a sua frustração no elevador:

"Homem é tudo filho da puta! Ninguém presta! Não merecem mulher direita! Têm que pegar mesmo umas vagabundas que chifrem eles até não poder mais, pra só assim dar valor! Só dão valor pra mulher vagabunda! Tem que pisar neles! Ah, Talitta, eu falo mesmo! Você sabe que eu não estou nem aí!"

Bom, até aí tudo bem... não fosse o pobre do coitado do senhor que estava conosco dentro do elevador, querendo se enfiar dentro da caixa que ele estava carregando...

Situação 2
Nós geralmente nos empanturramos de sanduíche-íche do McDonalds e voltamos todas bem muchinhas... depressivas... pensando na vida e porque exageramos tanto na hora do almoço... Novamente no elevador, eis que do silêncio digestivo a outra colega manda (do nada!):

"Então ontem eu passei a manteiga de cacau do Rodrigo no meu nariz. Tava todo ressecado, e como deitada na cama a única coisa que eu consegui alcançar foi a manteiga de cacau, nem pensei, passei ela no nariz mesmo. O Rodrigo surtou comigo..."

Oi?

Bom, até aí cada um com seu problemas... que Rodrigo e a colega se entendam com a manteiga de cacau que ficou, digamos, imprópria para ser passada nos lábios novamente... Não fosse a pobre da coitada da moça que estava conosco no elevador e achou tanta graça, que queria rir muito mas não sabia se podia ou não... sorte dela que saltou logo e deve ter passado mal fora do elevador. Só sei que isso virou assunto pra gente pro resto do dia...

Eita!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval Família

Faz tempo que não falo de pérolas dos meus pais. Como passei o Carnaval com eles, ouvi algumas (várias), mas uma em particular foi impagável.

Ei-la:

"- Atchim.
- Filha, você está resfriada?
- Errr, não pai. Impressão sua.
- Mas que saco hein... Justo no Carnaval!
- Ah, pois é.
- Aproveita o mar então...
- Oi?
- Aproveite o mar! Aaaaahhhh, o mar! Um grande Sorine natural e a céu aberto!"

Isso mesmo. E o tom foi de profundidade filosófica ainda...

(...)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O "Quico"


Fiquei passada hoje. Não tem jeito! Quando é que vamos aprender que é ridículo se meter na vida dos outros? Coisa feia! Mas como todo mundo já se meteu nessa história, não posso ficar de fora... rsrs

Foi assim: uma querida colega de trabalho namorava há um tempo, ia casar com o fulano, patatí, patatá... aí o fulano um belo dia surta, cai num "diz que me diz", acusa ela de barbaridades, dá pitizinho e termina o noivado.

Caso encerrado? Nããããããoooo. O fulano liga todo dia, pede satisfações, quer saber onde anda e com quem, xinga, joga na cara... Eita! Mó baixaria, bafón, caso de puliça.

Mas aí, não contente com tudo que está acontecendo, o fulano da minha amiga, que se acha corno e pelo jeito era o sonho dourado dele um dia ser corno na vida pois saiu contando pra cidade toda, contou o causo pra um "amigo" que se diz jornalista.

"Amigo" porque, amigo que é amigo não divulga que o amigo é corno na blogsosfera da Uol. Baita amigo! E "se diz jornalista", porque o dito escreve mal e se preocupa com candices e mexericos, quando um jornalista tem ferramentas o suficiente para tratar de assuntos mais importantes como... por exemplo... as auguras dos haitianos. Isso sim é problema! Mas enfim, se não precisam mais de diploma... quem sou eu pra falar lhufas...

O tal do jornalista se dignou a escrever toda a história de como se conheceram e de como tudo terminou, trocando nomes e cidade do acontecido (what the fuck???), e só faltou pedir clemência pro corno... Oi?

Amiga, essa é pra ti: jura que ele te contou que ficou trancado no banheiro fofocando com o irmão sobre como chegar em uma mulher? Olha, essa na minha opinião foi o primeiro sinal de que você tinha que ter caído fora de primeira. MEDO!

Isso mesmo... Zentem... rindo sozinha até agora. Mas fica aí a pergunta que não quer calar: e o Quico, meu Deus??? E o Quico jornalista tem que postar no blog dele que o amigo é corno? O Quico o irmão tem que correr pra segurar a mão do outro, enquanto crescem os culhões do corno pra ir falar com uma mulher? E o Quico o corno tem que ficar ligando pra pobre pra lembrá-la da tolinha que ela foi um dia, de ter achado graça dele trancado no banheiro?

E o Quico eu tenho que estar escrevendo aqui sobre isso? Mas como eu disse, já que todo mundo se meteu...

Quer saber? Pra mim o problema de todos os cuecas que se meteram a falar mal da "nativa de Ribeirão Preto" é um só: pinto pequeno. Pintinho. Isso mesmo, piroquinha de ganso! Quem sabe , fazendo esse estardalhaço todo, ninguém nem nota que falta um pacote no meio das pernas? Rá-rá-rá.

Ah, e a mulherada que se meteu e falou mal também: mal comidas. Pudera , tamanho importa sim...

Esculhambando e sempre.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Vingança

Há muitos anos atrás eu estagiei em um hotel. Diz a lenda que tem 5 estrelas, mas o pessoal que trabalhava lá na época não se comportava como tal...

Enfim, foi tão bacana a experiência que a equipe da tarde se tornou mítica: todo mundo sempre lembra da gente e das papagaidas. Na recepção éramos em 5: Bilú da Babilônia (recepcionista), Willas (mensageiro), Vinica Inútil (mensageiro), Alê (chefe da recepção) e eu, a estagiotária.

O andava puto com um fulano mal educado do financeiro, sei-lá-por-que. Não podendo deixar passar a desfeita do cara, tramou uma ótima com ele: ligou para um jornal popular qualquer, desses que você pode colocar um anúncio de graça. Eis a vingança:

- Oi, aqui é o "Fulano do Financeiro" e gostaria de colocar um anúncio.
- Pois não, qual seria o anúncio?
- Troco PlayStation 2 por casal de sabiá. O meu telefone para contato é... (e deu o telefone do fulano do financeiro com ramal e tudo).

Uns dois dias depois, o fulano do financeiro passa pela recepção e comenta que não param de ligar no telefone dele oferecendo casais de sabiá. E ele não tinha nem idéia da onde que saiu isso.

Eu rio sozinha até hoje.