quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Acho cômico até como algumas pessoas fazem questão de não se relacionar com outras.

Tem uma locadora de DVDs ao lado da minha casa, que frequento no mínimo 1 vez por semana há quase 3 anos. É sempre as mesmas pessoas que me atendem, desde comecei a ir lá. No entanto temos sempre a mesma conversa.

"- Olá, boa noite!
- Boa noite!
- Lembra o número do cadastro?
- Não.
- Qual o nome do titular?
- Talitta, sem H, com dois T no final.
- Encontrei. Paga agora ou na devolução?
- Na devolução.
- Quer levar mais uma pra entregar só daqui 3 dias?
- Não, obrigada.
- É só retirar do outro lado do caixa. Tenha uma ótima noite!"

A minha conclusão é que ambos somos birrentos. Ele fica puto porque depois de 3 anos eu não tive a capacidade de perguntar ou olhar no recibo da locação o meu número de cadastro e memorizá-lo, coisa que economizaria muito tempo e saliva para eles. Simples, prático, robótico. Eles nunca escondem o desprezo pelos clientes que não lembram o número do cadastro.

E eu, bom, eu viajo. Eu fico mais puta ainda porque depois de quase 3 anos frequentando um lugar toda semana ninguém lá lembra do meu nome. Não que eu queira status de celebridade nem tapete vermelho. Mas é algo que observo muito e que sempre fez parte da minha vida profissional: atenção ao detalhe. Apesar do meu trabalho ter diferenças abismais e essenciais aos dos atendentes da locadora, eu também tenho que lidar com clientes. E se tem uma coisa que faz muita diferença em um atendimento qualquer além de lembrar o nome de um cliente habitué, é o contato visual, cortesia (de modos) e conhecimento das preferências. Sabe o que economizaria tempo deles também: lembrar que eu nunca levo mais de um DVD por dia, pois as vezes que tentei não consegui assistir tudo. E sempre pago na devolução. Pra que ficar perguntando? A impressão que dá é que eles cagam para os clientes. Prefiro ser lembrada pelo meu nome e não por um número de cadastro. Faria toda a diferença e se lembrassem do meu nome eu também faria questão de lembrar do número do meu cadastro só pra ajudá-los a economizar tempo no sistema. Mas, já que é assim, eu fecho o circulo vicioso deles me fingindo de displicente. Só-pra-irritar.

Existe uma outra locadora do outro lado do meu bairro, na qual o dono é claramente um cinéfilo fanático. O cara me sacou no primeiro atendimento e quando eu vou até lá ele faz questão de me mostrar todos os lançamentos que tem a ver com o meu gosto pessoal e as relíquias que andou garimpando. Sempre levo mais DVDs do que posso assistir, sempre aprendo alguma coisa e e saio com ótimas indicações para a próxima visita.

A diferença crucial de ambas: o preço. A primeira é quase 4 vezes mais barata e levo exatos 2 minutos para chegar lá. Fora que só cobram 1/3 do valor da locação na multa de atraso. E eu SEMPRE atraso para devolver.

Phoda não poder ser mão de vaca nem preguiçosa para ter um atendimento simpático...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Deslocadas

Eu me apego ao estilo "absurdo" de conversas. Nada como discussões infindáveis, sem nexo e sem futuro, mas que sempre, sempre e sempre geram muitas risadas. Quem nunca ficou deslocado e falou (e fez) muita bobagem para descontrair?

Foi dia desses, numa tarde de sábado de sol, na qual fui enganada que iria a um boteco digno na Vila e fui parar num genérico playboy de outra vila, a Nova Conceição. Eu e a trupe, mais parecendo que tínhamos saído de um site de street style, leia-se completamente deslocados, mas concordando que sair dalí pra ir pra qualquer outro lugar não renderia nada mais que stress generalizado, decidimos pela abstração e pelo balde de cerveja gelada (cerca de 7 deles) com copo americano.

O ambiente começou a afetar o raciocínio. Mais pra lá do que pra cá, começaram. Só não lembro quem falou o que...

"- Preciso emagrecer.
- Nada de dietas malucas.
- Já pensou em ir ao Vigilantes do Peso?
- Eu vi numa revista uma dieta X e...
- A Fulana do faturamento passou mal outro dia com essas dietas...
- Sim, e disse ainda que queria fazer uma lipo!
- Não, essa era outra...
- Não era a Fulana?
- Não.
- Certeza?
- Eu acho esse nome tão pesado...
- Fulana?
- Não né... Vigilantes do Peso!
- E queria que fosse qual? Vigilantes dos Leves?"

Mas essa conversa não foi tão absurda quanto o ocorrido posterior. Já largados na cadeira, de boca aberta, mão segurando a cabeça, olhar perdido no nada e tédio pairando, eis que uma banda de sertanejo universitário começou a tocar. Se fosse só isso, vá lá né. Pior mesmo foi que o bar ficou ainda mais lotado e todos os playboys can-ta-vam as músicas e ainda faziam dancinhas. 

Disseram que eu fui lá pro meio, zuei um casal de conhecidos que dançavam alegremente, aprendi a dançar com o bofis da amiga, botei meu óculos de grau, puxei a outra amiga pelo braço e falei que lá só tinha gente estranha, mas eu não lembro de nada disso. E se eu não lembro, não aconteceu.

Essa foi minha deixa. E é por isso que eu sempre digo que não vou pra Vilas genéricas.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alguém me acode. Minha mãe está descontrolada.

 Eu volto pouco pra Batcaverna lá. Mas quando volto, minha mãe fica enlouquecida querendo agradar Na verdade, a descrição dela da tamanha felicidade que ela sente quando eu vou visitar foi a seguinte:

"Ai, filha! Quando você volta pra casa a gente fica igual pintinho no lixo!"

Eu ri, muito, porque ela me explicou que quando meu avô jogava resto de comida pros pintinhos que criava no quintal, eles ficavam muito alegrinhos, do jeito que um pintinho pode ficar, remexendo naquela abundância toda de "lixo" só pra eles. Ruim mesmo não foi ouvir isso. Pior foi ver minha mãe "batendo as asinhas", ciscando no chão e falando "piu piu piu", do jeito mais descordenado que só ela sabe fazer.

Depois do almoço fui pro lugar mais óbvio do mundo: o banheiro. Quando uma pessoa relativamente normal entra dentro do banheiro, faz outra coisa óbvia: tranca a porta. Não é da conta de ninguém nesse mundo o que você faz ou deixa de fazer dentro de um banheiro após o almoço. Certo? É hora de escovar os dentinhos, fazer as necessidades fisiológicas, pra depois cair no sofá e roncar até que a terra trema. É hora de privacidade plena e absoluta. Eis que alguém bate na minha porta:

"- Filha?
- Ai. Hum?
- Tá fazendo?
- Errr... estou no banheiro, mãe.
- Abre aí!
- Hein?
- Abre a porta pra mim!
- Como assim? Pra quê?
- Eu quero te dar um chá!
- Agora?
- É! Eu acabei de fazer! Vai esfriar!
- Você quer me dar um chá agora e dentro do banheiro. Simplesmente não pode esperar.
- ..."

Ontem minha mãe veio pra Gotham City e me ligou da 25 pra saber se queria algo de lá. Disse que queria uma meia preta. Ela me comprou uma branca rendada, uma de flores coloridas e uma de oncinha, e não se aguentou e veio até meu trabalho pra me mostrar. Ao ver as meias, comentei:

"- Nossa, mãe... essa parece ser muito pequena pra servir em mim...
- Que nada, filha! Ela estica, que nem couro de pica!"

Bom... Então tá, né...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Hora do almoço da vida moderna

Trabalhar em firma e ter que almoçar fora de casa não é o ideal de felicidade de ninguém. 

Pra quem tem um vida mais resolvida, independente, não mora com os pais e quase nunca tem saco/tempo pra chegar em casa e ir pilotar fogão "só porque está com vontade de comer um risotinho" as 22h00 da noite pra sobrar a malmita pro dia seguinte e não ter que subir a Itapeva até o kilo cachorro que tem lá... Bom, é restaurante por kilo no toba mesmo.

Até existem outras opções, como restaurantes que servem uns "pf" a preços módicos. Mas, como o tempo de almoço é limitado e me parecem que todos os restaurantes daqui fizeram estágio na Bahia, o restaurante por kilo surge como opção mais funcional, afinal é comer para aguentar o dia e não fazer um banquete eno-gastronômico.

Tá, eu sou fresca. Brigada.

A clientela
O kilo cachorro daqui até que não anda tão cachorro. Mas as pessoas são cretinas iguais. Eu não sei o que acontece! Parece que é adentrar as instalações de um kilo que as pessoas perdem o bom senso, Brasil! Tá eu lá na fila. Sempre levo música pra ouvir, porque as conversas de coxinha de firma na hora do almoço me transportam para o além. Sempre tem um executivo de dieta, que empaca a fila bem no começo do buffet, porque ele precisa fazer um prato monstro de salada pra não sentir fome mais tarde. Sempre tem a tiazinha com TOC, que fica compulsivamente escolhendo os cogumelos de tamanho perfeitamente simétricos do estrogonofe de frango. Sempre tem o grupo de patricinhas da GV fazendo algazarra e achando que ninguém liga pro volume da voz delas fazendo eco. Sempre tem o vegetariano reclamando que não aguenta mais comer a soja deles (oi?). Sempre tem os esquecidos, que vão até o final do buffet pra depois lembrar que esqueceu o vinagrete da salada e o pudim de leite. Tem sempre o adolescente filhinho da mamãe que fica meia hora na cuba do feijão só pra pegar mais caldinho. Sempre tem a mal comida que não vive sem batata frita e não vai sair da fila do buffet "enquanto não reporem a batata frita"! E aí, tem que ter o gordinho empacando a fila novamente escolhendo só as coxinhas do balaio de salgadinhos fritos que fica no fim do buffet a caminho da balança e phodendo tudo de novo.

As filas
Já reparou como todo kilo tem um planejamento espacial muito mal feito? A fila do caixa sempre atrapalha a fila de pegar a bandeja. A fila da bandeja atrapalha a entrada de comensais de fora. A fila do buffet atrapalha quem está indo pesar. O carrinho de sorvete fica bem no meio da fila do caixa. E os que estão pesando os pratos atrapalham que está tentando sair da muvuca pra conseguir uma mesa!

A bandeja
Odeio as bandejas. Como se as pessoas fossem burras o suficiente para não conseguir carregar numa mão o prato e na outra a bebida. Ah, mas aí tem a carteira, o celular, o gloss, o aipódji, a Nova, e o caralho a quatro. Bota tudo na bandeja junto com o prato, e é isso ai. Bandejas são um mal necessário e muito cafona.

A gelatina
Todo kilo que é kilo que se preza sempre tem gelatina de cortesia. Pega o que tiver e toma teu rumo. E sempre tem um filho da puta que reclama que a gelatina hoje é de limão, e ele odeia a de limão, ele quer a de "sambroesa"!

As mesas de 4 lugares
A maioria dos kilos sempre têm mesas de quatro lugares. Phodam-se todos que vão almoçar sozinhos e/ou em dupla. E te olham feio quando você ocupa sozinha, ou em dupla uma mesa de quatro. E quase nunca tem outro jeito e sou obrigada "viu, posso sentar contigo?". Poder, pode. Mas aí sempre vai sentar do meu lado os doentes mentais por futebol ou as desesperadas por conselhos amorosos. Ai, mal aê galera, sou ácida nos dois assuntos, tsá? Sendo assim, favor não falar comigo e sim ler a Nova que está na tua bandeja e o resto ir pra putaquiuspariu de cócoras.

O caixa
Sempre tem um monte de carboidratos açucarados em embalagens coloridas daquelas que gritam "vemnimim", carboidratos esses que você jurou que iria conseguir ignorar, mas pimba! Ao fecharem a tua conta, te perguntam "Mais alguma coisa, senhora?" e claro, atordoada com toda a experiência do almoço, você acha que finalmente, talvez quem sabe, mereça só um esticadinho de morango e uma balinha de caramelo... Malditos.


O cafézinho
Lembra do gordinho que encheu o rabo de coxinha? Ele tá sempre lá reclamando que "acabou o adoçante!". É cliché dos bravos mas, como os vampiros emocionais e as bruxas, eles existem...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Preocupações

Voltou de férias hoje um dos meninos do estoque. Super querido, certinho e pudico também.

"- Oi Tatá! Você tá bem?
- Estou sim...
- Então tá bom... Parou de falar palavrões?
- Hum... O Tiririca foi eleito deputado federal com 1,5 milhões de votos e você está preocupado com o fato de eu falar palavrões? Tem certeza?"

E aí? Vamos rever conceitos?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O óculos contra-ataca

Tava eu outro dia dentro do carro, parada num farol qualquer perto de casa na volta do trabalho.

Eis que um flanelinha se aproxima, e eu já penso comigo mesma "Ai, lá vem..."

"- Ei, tia! Que óculos bacana! Deixa eu limpar teu vidro?"

Não deixei. Não gostei do "tia".