sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Amizades

Começou uma recepcionista nova na firma. 

A menina é daquelas que parece um bibelô. Branquinha, loirinha, meiguinha, coisinha-de-jesus. 

Tá tímida ainda, se limita a fazer poucas perguntas somente sobre alguns procedimentos e sobre o computador. Ah, e a cantarolar eventualmente (acho que ela me lembra uma princesa do Valdisnei).

Raras são as vezes que ela se dirige a mim. Fiquei sabendo por intermédio de minhas colegas que ela sempre tenta puxar papo sobre assuntos aleatórios para se enturmar. Porém não comigo. Fico aqui com a impressão de que tenho cara de buldogue no trabalho. E de fato devo ter mesmo. É a velha expressão de chef aflita e mal-humorada somada ao nervosismo característico da falta de açúcar e carboidratos na vida (tenso). 

Mas alguém deve ter comentado pra uvinha que eu falo ingrêis. Aí ela resolveu me mandar um chat:

"- Oi, Talitta! Você fala inglês?
- Oi... Eu, sim.
- Fluente?
- Fluente.
- Aprendeu como?
- Estudando... 
- Ah, estudou onde?
- Numa escolinha pequena em Neverland...
- Eu também, foi numa escolha pequena. Mas eu sempre quis viajar...
- Sim, isso faz toda diferença.
- Mas como você praticava?
- Ah, acho que vale a pena fazer amigos gringos...
- Ah é?
- É pois é. Gotham City aqui tem um monte. E alguns são tão preguiçosos que mesmo morando há anos no Brasil, fazem questão de não aprender muito...
- E como você encontrou essas pessoas? Sites de relacionamento? Hehe...
- Não. Enchendo a cara em Pubs."

Engraçado, ela ficou muda daí.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sofrimentos

Mulher sofre.

Acho que já devo ter falado isso aqui. Mulher sofre demais! É difícil ser mulher com dignidade! E é por essas e outras que digo que mulheres devem ser muito bem tratadas. 

Recado para as mulheres: não se nivelem por baixo! Nunca se acomodem por menos que merecem!

Não dá pra ter um minuto de sossego. Tem que cuidar do cabelo. Tem que cuidar da pele. Tem que cuidar do corpo. Tem que cuidar das unhas. Tem que cuidar da alimentação. Tem que se vestir bem. Tem que cuidar da casa. Tem que saber fazer no mínimo um prato pra impressionar alguém. Quando você menos percebe, não sobra tempo e nem dinheiro pra mais nada. 

Tive essa epifania ontem depois da depilação. Ô vida! Eita sina! Saco! Me fala, que caralho que é fazer depilação?! A não ser que você seja "naturista", depilação é algo compulsório e ad eternum na vida de uma mulher. Sempre tem um novo tipo, mais revolucionário, menos indolor, mais duradouro... Mas não adianta. Se você é mulher, e pretende ter algum tipo de dignidade na vida, vai ter que passar pela depilação. E, apesar do que divulgam por aí, ela não será definitiva, bebê. 

A sensação que tenho quando vou fazer depilação é que sou uma prisioneira de guerra a caminho da tortura medieval. "Escolha seu instrumento!". Depilação com cera fria ou quente? Roll on ou de mel? Depilação com linha? Com creminho? Satinelli? 

"Ai não pode ser com gilette, não? Só hoje, vai!"

Não! Porque aí, bebê, dá dois dias e você tá parecendo um cacto!

E quais as partes do corpo a mulherada depila? Talitta explica:

Sobrancelha - só a Malu Mader que acha aquilo bonito né. E o marido. Enfim...  Monocelha, jamais. Tem gente que prefere encarar isso a zilhões de pinçadas. Mas aí corre o risco da pele fininha ficar flácida e tudo e tal.

Buço - vulgo bigode. Eu definitivamente não acho "buço" uma palavra mais meiga para definir o bigodim feminino. É bigode mesmo, pô! En-gu-la! Todas tem! Em maior, ou menor escala! E te digo mais! Se você, como eu, é descendente de povos mediterrâneos, não é só bigodim abaixo do nariz não, é no queixo também! Adoro brincar com os amigos, quando algum fofo fala:

"- Tô precisando fazer a barba..."

Aí eu falo:
"- Eu também!"

Aí olham pra mim com aquela cara de "Ah vá!" e caem na gargalhada... Mal sabem que é verdade. Já vi fazerem também o rosto todo, digo, na linha do maxilar.

Nariz - Sim, bebê. A mulherada arranca pêlos do nariz. E não, não é a base de pinçalada não. É com cera... quente. 
Axilas: o bom e velho suvacão. Acho que é o "top one" das depilações. Suvacão peludo de homem pode, mas em mulher é "uó".

Braços: quem nunca passou "Blondor"? Acho super coerente sabe... mulheres morenas, de braços louros... Nojo. Sou adepta da depilação há anos aí... nem minha depiladora acredita.

Perna inteira/ meia perna: de novo, homem de perna peluda pode e é desejável, mas mulher... Cruz credo! Ainda bem que de todos, é o menos pior...

Virilha - MOMENTOS DE TENSÃO. Acho que depiladoras deveriam cobrar um horror pra depilar a virilha dos outros. Ô servicinho! Acho que pra quebrar a monotonia e descontrair o constrangimento que é depilar uma virilha, o povo fica criativo e resolve fazer desenhinhos... Quadradinho? Triangular? Em forma de mariposa? E quando fazem pegadinha com a gente? Você liga lá, marca um horário, e a recepcionista fala "completa ou simples?". Pra que, gente? Pedi completa uma única vez na vida, e saí de lá parecendo uma criança no período pré-puberdade.

Cú - Até o cú, minha gente! A mulherada depila o cú! Precisa? Jura por Deus? Pra quem? Quem é que gosta de ficar olhando? Admirando? Um cú pelado! Ah coitado!

Ufa.

Definitivamente, mulheres merecem todo carinho do mundo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Moda

Macho que é macho mesmo não entende de moda, certo?

Errado.

O mundo está de pernas para o ar mesmo. Foi-se o tempo no qual os homens tinham 3 calças, 7 camisas, 2 camisetas, um cardigan e um terno. E não faziam menos sucesso por isso. 

Não conheço muitos homens que tem um olho analítico para moda ou sequer vocabulário. Nesse caso, acho que estereótipos se aplicam sim: a maioria dos homens que entende de moda hoje em dia diz que Mika é trilha sonora pra vida, Vogue é bíblia e o melhor filme "evah" é o Diabo Veste Prada, porque Merryl é diva!

Mas voltando as atenções agora aos queridos brucutús, acho que o medo de ser considerado um "metrossexual" é tão grande que até tentam esconder qualquer apreço pela moda que saia do lugar comum. Tentam.

Como por exemplo, cores. Mulheres tem uma atenção ou noção melhor de nuances por conta da indústria da moda. Roxo não é simplesmente roxo. Roxo pode ser berinjela, uva, lilás, lavanda. Azul não é só azul. Azul pode ser cobalto, turquesa, marinho, celeste. Outro dia por exemplo eu estava usando uma saia de tule e renda tipo bailarina, de cor "nude". Veja bem, "nude" não é lá exatamente uma cor; se você tentar comprar uma bisnaga de tinta a óleo na cor "nude" não vai achar. Chamam de "nude" peças feitas com cores que imitam a cor da pele. Não é bege, nem cru. E existem vários tons de "nude" para os mais diversos tipos de pele. Geralmente serão feitas com tecidos leves, de textura delicada tipo rendas ou um chiffon. Geralmente levam bordados também. Gosto de pensar que parecem um "doce" de tão lindas que são. Meu pai é o único homem que sabe diferenciar cores. Aliás, ele tem uma coleção de camisas cor de rosa, que pra ele não são "cor de rosa", e sim salmão, salmonete, rosa alaranjado... Meu pai não é gay, ele só trabalha com moda.

Enfim, minha saia "nude" de tule foi elogiada. Foi algo mais ou menos assim:

"- Gostei daquela tua saia. Por que não usa ela de novo?
- Qual saia?
- Aquela branca.
- Branca? Que saia branca?
- Aquela de bailarina!
- Não é branca.
- É branca sim!
- Eu não tenho saia branca.
- Ah, é um branco sujo...
- É NUDE!"

Daí vieram diversas histórias e comentários de como homens não entendem de cor, que pra homem é tudo igual, porque enfim, são machos durões e xucros por excelência e com muito orgulho e esse tipo de detalhe a respeito de moda são meras "tecnicalidades".

Mas os seres humanos são contraditórios. O mesmo machão, que não sabe nada de cores e, analogamente falando, não entende de moda, me mostrou uma foto de chapéu no parque. Isso mesmo, um c-h-a-p-é-u. 

Chapéus já foram ítens obrigatórios no vestuário de um gentleman. Na verdade, de qualquer cidadão comum. Me arrisco a dizer que caíram em desuso nos anos 50 do século passado, quando o rockabilly tomou conta da cultura popular norte americana e o bacana era exibir topetes. E topete não combinava com chapéu. Nem preciso me estender aqui na influência da cultura norte-americana (me refiro aos EUA) no resto do mundo com o final da Segunda Guerra. Dos topetes vieram os cabelos estilo black power, a cabeleira hippie e os mohawks punks. No Brasil, usar um chapéu sem motivo aparente é quase subversivo. Da mesma forma que Buggles diz que "Video killed the radio star", eu diria que o rock matou o chapéu. Uma pessoa que use chapéus hoje em dia poderia ser considerada ousada e estilosa. Não vale boné. Eu mesma gosto muito de chapéus, mas sempre preciso de uma dose extra de inspiração. 

Enfim, o chapéu do bofe era um chapéu de abas pequenas, que recebeu uma faixa escura, possivelmente preta, na base da copa. A cor era um cru, parecido com aquela palha fina do Panamá equatoriano. Como a foto era pequena, não deu pra visualizar o material com o qual o chapéu foi confeccionado. Por este  motivo, eu cometi um equívoco comum e compreensível. Conhecer os variados tipos de chapéus também não é um assunto de mesa de chopp. Se já disse que para o brasileiro é difícil usar um chapéu, imagine conhecer a origem e nome dele. Bom, pensando nisso, fiz um comentário me achando, mas não esperava resposta alguma.

"- Opa, Panamá?
- Não! Fedora!"

Ah, tá. 

Tecnicalidades...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Dissonância cognitiva

Mais uma expressão brilhante que ajuda a justificar minhas grosserias racionais, num momento auto-afirmação.

Existe uma crença popular, baseada possivelmente em uma falsa serenidade que paira em meu semblante, que eu sou uma pessoa calma, simpática e paciente por excelência. Esse foi provavelmente um exercício teatral de anos a mim ensinado para que me encaixasse perfeitamente em qualquer ambiente social sem conflitos de qualquer natureza.

A frustração (não minha) se faz presente quando existe uma perturbação da paz (a minha). Acho desproporcional o número de indivíduos que evita discussões. Pessoas entram e saem de conversas com idéias e argumentos prontos. Parecem até saber exatamente o que querem ouvir em resposta do seu espectador. E é óbvio que, se e quando não ouvem o que querem, existe aí uma grosseria. Nunca da pessoa que fez uma pergunta ou afirmação cretina mas sempre da pessoa que se recusa a corroborar a cretinice em geral.

E isso sempre acontece comigo. Ouvi uma cretinice ontem. Daquelas que não foi a primeira vez que ouvi e tenho plena consciência de que não será a última. Sendo assim, para não criar rugas desnecessárias, eu desenvolvi um método para lidar com a cretinice alheia. O método consiste em ignorar o interlocutor a fim de não prolongar a diarréia verbal dele e evitar o seu constrangimento.

A conversa envolvia o assunto da minha profissão. O contexto: feriado, praia e descontração. O cretino: um imbecíl qualquer, patético e que precisava de ajuda para encontrar o seu lugar.

"- Ô menina, qual o seu nome mesmo?
- Talitta.
- Talitta, por favor me diga se eu estou certo ou errado...
- Hum...
- Eu fiquei sabendo aqui que você é uma enóloga...
- Não sou enóloga. Sou sommelier.
- ... eu estou tomando este vinho tinto aqui e acabei de dizer para minha irmã e seu marido que eu sinto assim um gostinho de cedro nele. O que você acha disso?"

A minha resposta foi um combinado de "por favor não me incomode com esse assunto, pois estou de folga" e "você está completamente errado, mas não vou prolongar no porquê para que não fique ainda mais constrangido".

O meu sentimento em relação a falar de trabalho com pessoas que não são do ramo quando não estou trabalhando é o mesmo de um analista financeiro em um churrasco de família ao ser abordado para dar conselhos sobre a bolsa de valores: encaralhamento. As vezes o assunto surge naturalmente, nesse caso não ligo. Mas por favor não me confunda com uma consultora de plantão a disposição para inflar o seu ego frágil e ignorante.

Me considerando uma pessoa extremamente racional, eu convido qualquer um para finalizar essa equação comigo: um bêbado babaca te incomoda e pergunta se está certo ou errado para se mostrar para a família dele. Existem duas saídas aqui:

1. Você desenferruja o seu sorriso de Miss, concorda com a cabeça e professa um "Isso mesmo..." sob o risco do cretino prolongar a conversa e fazer com que você concorde com todas as imbecilidades que ele fala, legitimando assim a ignorância dele como se fosse uma verdade passível de ser escutada por pessoas que igualmente não entendem do assunto. 

2. Você termina rapidamente a conversa contando a verdade, deixando subentendido que ele está errado e que deveria se informar melhor antes de sair falando bobagens. E claro, deixa uma imagem de si mesma(o) perante pessoas desinteressantes, pouco admiráveis e que não fazem falta, de grossa(o).

Não entendo essa coisa de ser sempre simpática (contradizendo a crendice popular). E não acho que abra tantas portas assim não. Aliás, não acho que seja elegante ser falsa para ser política. Aliás, meu medo de ser confundida com alguém burra é muito maior do que ser chamada de grossa. E acima de tudo, não tenho obrigação de adivinhar o que o outro gostaria de ouvir. Ninguém tem. Este é fatidicamente um exercício deveras exaustivo.

Não, eu não sei de tudo. Aliás, vivo minha vida partindo do pressuposto que entendo de porra-nenhuma. E gosto de aprender.

Eu sou extremamente direta e racional e repudio ignorância apesar de saber porra-nenhuma como citado anteriormente. Isso não é incoerência, é uma dissonância cognitiva. Ao mesmo tempo que digo odiar ignorância, sou censurada socialmente por não ter empatia alguma com a ignorância alheia e ser portanto chamada de "ignorante" também.

Me disseram horas depois que eu tinha "ceifado" o pobre coitado e que sua família quis se enfiar debaixo da mesa de tanta vergonha (e por analogia eu deveria me enfiar debaixo da minha mesa por ter feito um imbecíl passar vergonha por ser imbecíl).

Agora, isso é problema meu por que?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mais perguntas cretinas

Sempre tem um gringo que entra na firma. Sempre me chamam pra atender em inglês, mas eu não ligo. E gringos também são cretinos. Chegam na firma falando a língua deles e esperando que alguém os entenda. Esforço nulo para falar o português. E quase sempre ficam admirados que as pessoas aqui tenham mais de dois neurônios.

" Talitta - Hi there, how may I help you?
Gringo - Oh, you speak English?
Talitta - ..."
Não, sua anta.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Conversa

As vezes eu tenho umas conversas tão cretinas, que chegam a ser surreais.

Outro dia, na firma, foi mais ou menos assim.

"- Vim comprar vinhos.
- (Cê jura?) Ahan.
- Eu quero um assim, bem levinho... Tipo um Malbec!
- Malbec é encorpado. Pinot é leve.
- É bem assim, suave?
- Não é suave. É leve.
- E aquela... o Cabernet? É mais suavezinho, não é?
- Não é suave, é leve. E Cabernet é tão encorpado quanto a Malbec.
- E o que você tem da... como chama?
- Pinot Noir.
- Isso! O que tem?
- Tem esses.
- É bem suave?
- Não é. É bem leve.
- Mas você tem algum suave?
- Não tem.
- Entendi. Acho que vou levar o Malbec. Pra mim é bem suave...
- Quantas caixas?
- Quero X. Tem desconto?
- Não tem desconto.
- Nem pra cliente antigo?
- Principalmente pra cliente antigo.
- Mas eu sempre tive desconto!
- Nunca teve desconto.
- Nem pra pagamento a vista?
- Não.
- Ah, faz um descontinho aí, vai!
- ... pausa... cara séria de c*...
- Nossa, essa menina é dura na queda! Me dá um brinde então!
- Não tem brinde.
- Me dá essa garrafa aqui então!
- Não.
- Nossa... da próxima vez vou no concorrente que me dá desconto e brinde!
- Vai nada."

Uma semana depois, adivinha quem volta?

"- Oooooooi! Lembra de mim? Quero mais umas caixas daquele Malbec suavezinho que você tem!".

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Cabelereiro

Cabelereiros são sempre controversos. 

Eu tenho dois: um que me tumultua a vida, cortando meu cabelo sempre radicalmente sem eu pedir (e eu sempre acabo gostando), e um pra manter o corte (pois esse dificilmente toma decisões sozinho).

Mas uma coisa é certa: cabelereiro é sempre abusado. Sempre acham que o seu cabelo está aquela merda quando você ousa cortar em algum outro lugar. 

No radical é assim: a pessoa que corta meu cabelo é dotada de uma objetividade, cinismo e um humor tão negro que eu nunca vi igual. Fora os comentários grosseiros quando alguém resolve contrariar seu julgamento. A gente se dá super bem. Aliás, acho que eu sou uma das poucas pessoas que consegue fazer ela rir.

Ano passado eu inventei de cortar o cabelo curto, tipo "bob" (o antigo "chanel"), e não sei da onde achava que dava pra ficar variando sempre o corte sem ter cabelo pra cortar. Numa das minhas "variadas", o cabelereiro radical não teve por onde senão cortar tipo "joãozinho". Mas eu não queria "joãozinho". Mas e daí, né? A uva me falou o seguinte:

"- Olha, a primeira vez que eu cortei meu cabelo curto desse jeito senti um alívio e uma liberdade tão fantásticos, e eu quis que você experienciasse a mesma coisa!".

O jeito foi gostar do "joãozinho". E eu gostei até.

E teve um assim também:

" - Pessoas que possuem um rosto perfeito não ficam bem com esse tipo de corte radical. Tem que ser uma coisa reta, simples. Agora, pessoas que possum defeitos no rosto, tipo você e eu, essas sim combinam mais com cortes variados."

Só foi menos ruim porque ela se incluiu no comentário.

Mas um ano passou e eu decidi que vou deixar meu cabelo crescer, pois o leão precisa de sua juba para reinar.  Acho que sem meu cabelo eu sou como "Sansão"(tá, na verdade eu fico com uma puta cara de sapa e isso não me convém). Sendo assim, por mais que eu goste, eu ando evitando o cabelereiro radical, para ir só mantendo o corte num mais tranquilinho.

O mais tranquilinho é assim: baba ovo. Eu adoro o salão, que fica na Augusta, a pessoas são modernas e afetadas, valorizam produtos de salão caros, e quando eu chego lá sempre alguém me fala que ama meu cabelo (principalmente quando está estilo ninho). Dá aquela levantada no ego, e eu não gasto um horror. É o antagonismo do radical.

Mas o cabelereiro não deixa de ser menos abusado. No meio das conversas, ele me pergunta:

" - Você tem passado o que no seu cabelo pra ele ficar assim?
- Bom, eu segui o seu conselho da última vez, e aposentei a pomada. Comprei um "leave-in".
- Ah, é? Qual marca?
- Ah, comprei um baratinho né... da Garnier mesmo. Me custa uns R$ 5,00 mangos...
- ... bom... o importante é que você acha que dá certo."

Mas não parou por aí. Conversa vai, conversa vem, falamos sobre viagens e o bonito me comenta que pretende ir para Berlin fazer um curso muito em breve:

"- Ah, mas que bacana! E vai fazer curso de que?
- Dãh! De corte, né? Cabelereiro investe em curso de corte!"

E eles juram que gosta de mim.

sábado, 7 de maio de 2011

Emília express

Desde que mudei o foco da minha carreira profissional, eu tenho tido muito mais tempo para mim mesma. Tempo este que deveria ser aproveitado para cuidar melhor do corpo e da mente. Eu tenho aquela fantasia meta pessoal, de um dia conseguir acordar bem cedo para fazer um pouco de meditação e alguns exercícios de yôga. Fazer um desjejum leve e rico em yogurts, granolas, frutas e desprovido de cafeína pois serei tão equilibrada fisicamente que ela não me fará falta. Esse ritual matutino seria em total silêncio, sem música e sem TV, para que pudesse contemplar o esplendor da alvorada. Um rápido banho de água morna, para não enrugar minha pele sensível, e tempo de sobra para me arrumar sem stress. Sair tranquilamente de casa e chegar ao trabalho com uns 15 minutos de antecedência, todos os dias.

Mas eu não vim ao mundo para ter disciplina.

Ao invés disso tudo, eu tenho a extraordinária habilidade de ser muito mais desorganizada com todo esse precioso tempo. Eu sempre vou dormir muito tarde empolgada com as groselhas na televisão, ou baixando vírus para o meu computador. Coloco o meu despertador para acordar cedo, e levanto da cama tarde. Uma soneca... duas sonecas... cacete! Estou atrasada!

Pulo da cama e tropeço nos meus sapatos do quarto, porque não tenho a decência de guardá-los no armário. O tropeço me desequilibra e me faz bater na porta que divide a sala e o quarto. Cambaleando de sono ainda, vou correndo como uma lesma doida tomar um banho, muito quente. Saio do banheiro e volto pra sala pra ligar a TV no jornal da manhã, porque eu ne-ces-si-to saber das desgraças do mundo logo cedo. 

Quase nunca dá tempo de secar o cabelo, então vai molhado mesmo, passo um creminho e é isso aí, seja que Deus quiser. Que roupa usar? Qualquer uma, não preciso (e nem tenho) tempo de combinar nada de qualquer forma. Coloco uma maquiagem básica na olheiras, só pra não assustar as criancinhas na rua. E é sempre aí que começa o festival de rinite matinal: corretivo passado, blush, uma sombrinha clara e pra finalizar o rímel e ai não eu vou espirrar... segura... segura que o rímel ainda não secou...segura...segura... atchúúúúú! Dou aquela olhada no espelho e, cabelo de louca e rímel borrado, é oficial - sou a Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo.

Procuro alguma coisa na geladeira pro café da manhã e... opa! A geladeira está vazia, porque eu achei que tava muito mais legal ver a CNN do que me dignar a ir comprar alguma coisa pra comer.

Bora trabalhar!

Saio correndo e ligo o rádio do carro na CBN, pra ouvir a "Charge" e as opiniões do Cony, do Xexéo e da Viví. Como está já em cima da hora, as vagas para estacionar o carro são assim, disputadas. Existe a vaguinha ninja, onde só caberia carros pequenos como o meu. Até pouco tempo ninguém botava uma fé que cabia um carro lá, então eu tinha aí uma vaga só pra mim, pra todo sempre... Mas não. Os almofadinhas da faculdade descobriram minha vaga e agora eu tempo que competir. 
Lá está a vaga. Eu vou indo em direção a ela e dou seta para a esquerda, para cruzar a rua fazer a volta e estacionar. Do sentido oposto da rua, depois que eu dei seta, lá vem um carro pequeno também e faz que vai parar na minha vaga. AH NÃO! É um daqueles momentos "western": os dois dão aquela hesitada, e de dentro do carro ambos se encaram. Eu acelero, ele acelera e em uma ato de pura imprudência eu jogo o meu carro para a esquerda bem em cima da minha vaga e da calçada porque "eu dei seta primeiroooooo!". Putinho da vida, o outro carro vai embora e eu manobro meu carro para estacionar. Saio do carro tropeçando no cinto de segurança e vou pegar um desjejum rico em cafeína, carboidratos, glútem e gordura. Faltam 5 minutos.

De óculos escuro pra esconder a cara de sono, cabelo de louca e roupa despareada entro no boteco que é praticamente a extensão da firma. É sempre aí que escuto:

" - Eita minina estiloza! Ninguém se veste igual essa aí!".

Né?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Down under

As férias sempre me rendem algumas situações bem vexatórias.

Logo na primeira semana, me acontece uma que me deu vontade de abrir um buraco no chão pra voltar pra casa mais rápido.

Fui visitar o irmão na companhia de um amigo de longa data. O amigo, gringo, que sempre foi amigo e mais nada, dividiu o quarto comigo durante as viagens afim de dividir também despesas. Dividir quarto com um amigo não é a mesma coisa que ir pro bar com um amigo. Eu, mais que ninguém, preciso e valorizo muito minha privacidade, não durmo bem com outras pessoas no mesmo ambiente e sou muito espaçosa. Tenho minhas rotinas, rituais e manias e não tenho ansiedade nenhuma de dividir elas com ninguém.

Enfim. Depois de um dia cansativo e 4 horas mofando, devido ao atraso num vôo, sem internet, num aeroporto de uma cidade que pensa que tá no "primeiro mundo" e muita turbulência depois, finalmente consigo chegar ao hotel do destino número dois. Feliz por conferir que fiz uma boa escolha para a acomodação, só consigo pensar em uma única coisa: banho. Quente. Demorado.

Deixei o amigo ir primeiro para assim evitar que ele ficasse ansioso com a minha merecida demora. Separei meu pijama, sabonete, shampoo, condicionador 1, condicionador 2, creme hidratante para o corpo, hidratante com ácido retinóico para o rosto, creme para a área dos olhos, escova de dente e pasta de dente e, liberado o banheiro, mijoguei.

Aaaaaahhhh, mas que maravilha que é um banho depois de um dia cansativo!

Algumas horas depois, eu decido que talvez seja melhor fechar o chuveiro e sair do banho (a placa com uma mensagem de "favor economizar água" com apelo ambiental/catastrófico ajudou na decisão). Dou aquela espreguiçada, abro a cortina do banheiro, procuro pela toalha de banho e...

Cadê a toalha?

Eu lembrei de tudo, menos de pegar a minha toalha de banho.

Que ficou em cima da minha cama.

Do outro lado do quarto.

Cacete. Por uma fresta da porta do banheiro eu dei aquela espiada pra ver em que condições se encontrava o amigo.

O amigo estava dormindo com um travesseiro em cima da cara. Roncava um pouco também.

Puta-que-me-pariu-de-cócoras. E agora?

Arrisco sair pelada pra buscar a toalha? Parece que só o meu pensamento foi o suficiente pra fazer o amigo se mexer. Melhor não.

E se eu chamasse ele, e tentasse explicar a situação, da forma mais fria o possível, para ele não pensar bobagem? Se eu não fosse brasileira, com o fardo que toda mulher brasileira carrega mundo afora de puta oferecida, acho que não teria problema algum.

Cazzo. Dou mais uma olhada do quarto e desisto de qualquer manobra radical. Começo a dar uns pulinhos pra ver se a água do corpo escorre e assim me seco mais rápido. Foi no quinto pulo que pensei que não dava pra ser mais ridícula.

A cortina do box era de pano. Hum...idéias. Foi chegar perto e dar aquela cafungada que vi que se encostasse naquilo ia precisar de um novo banho, bactrim e fuconasol.

Olhando novamente pelo banheiro noto uma toalhinha escondidinha num canto. Devia ter uns 40x30cm, aquelas de mão, sabe? Ufa! Maravilha! Problema resolvido! Pra quem ia ficar 40 minutos coçando dentro do banheiro esperando a água secar naturalmente, tá muito bom. Depois de me secar eu estiquei a toalhinha de mão no suporte dela para que secasse.

No dia seguinte, ao acordar, vi que o amigo gringo estava no banheiro escovando os dentes. Foi por pouco que ele quase pegou a toalhinha pra secar o queixo quando eu pulei da cama e disse:

" - Você não quer usar essa toalha.
- E por que não?"

Eu poderia ter falado qualquer coisa, mas a falta de malícia minha em uma língua estrangeira me fizeram contar pra ele a história do mesmo jeito que contei aqui, que rendeu um ataque histérico de risadas no gringo (que prometeu propagar o meu infortúnio no hemisfério norte). Passado isso, ele me diz:

" - Essa toalha não é de mão. É de chão!"

As coisas podem sempre piorar. Né?


terça-feira, 26 de abril de 2011

Mordendo a língua

Assitir a programas de televisão populares e ler revistas de fofocas tem lá sua utilidade.

Tava eu na fila do aeroporto pra pegar meu vôo rumo à África. 

Meus pais me acompanhavam na fila, os três felizes, fazendo sempre os mesmos comentários absurdos sobre pessoas no aeroporto e seus hábitos cretinos de viagem. Notei que tinha atrás de mim um gordinha feliz e simpática, que fazia questão de sorrir muito quando ela achava que tinha alguém olhando na direção dela. 

Pensei:

" - Que Fulana mais abobada. Depois eu que sou estranha...".

Chegou a minha vez de fazer o check-in. A atendente ria histericamente com uma colega do balcão ao lado. Fiquei meio constrangida por estar sendo ignorada, pois estava tentando fazer o check-in num vôo vazio, numa fila que não andava nunca, e estava começando a entender o porquê da demora toda (atendentes dispersas).

Fiz aquela cara de galinha com sorriso amarelo florescente até que a atendente se dignou a olhar pra mim. Me pediu os documentos, deixou escapar nova risada e me disse:

" - Sabe quem vai viajar no mesmo vôo que você?
 - Errr... não. 
 - A Mulher Melancia! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!"

Eu não aguentei o cinismo todo dela e ri junto. 

Mas não podia ficar quieta, né? Entre risos e engasgadas, eu comentei meio alto com elas:

" - Favor me colocar beeeeeeeeem longe! Não quero ter que dividir meu assento com bunda de ninguém! Ela já fez o check-in? Quem é?".

Deu que nenhuma delas sabia dizer ao certo se a sub-celebridade já tinha feito o check-in ou não.  E todas rindo muito, terminei meu check-in e me mandei.

Dentro do avião eu notei que algumas pessoas estavam em cima de uma gordinha para tirar fotos e pedir autógrafo.
Moral da história: a gordinha simpática e abobada atrás de mim era a Mulher Melancia. E sim, ela continuava atrás de mim e relativamente perto enquanto eu fazia as minhas macacadas.


terça-feira, 12 de abril de 2011

Ah, hahahahahahhahahaha!

Jantarzinho na Terra do Nunca. Mãe resolve usar o tema "Japão", para homenagear as vítimas do terremoto e tudo e tals. Foi na Liberdade com a vizinha e as duas juntas compraram tudo para o jantar lá mesmo.

Preparado o jantar, está na hora de chamar o pai para nos agraciar com a sua companhia. A mãe, num tom phyno que me dá orgulho, grita do pé da escada:

" - Ô Gráááááááááááuso!!!! Desce logo que a vizinha já tá bêbada de saquê!".

O jantar esfriando é secundário.

(Ah, eu ri...)

domingo, 13 de março de 2011

Férias do outro lado do mundo

Tô de férias, porque eu mereço.

Vim passar as férias com uns amigos queridos, que fizeram muita questão de me receber em seu lar.

Aí, conversando com minha mamãe querida, para contar as novidades, comento das minhas aventuras e que estou "como uma rainha", me referindo ao tratamento deles para comigo e achando que a mensagem estava implícita.

A lindinha me responde:

"- Tá com diarréia, filha?"

Amo muito tudo isso.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Li um pequeno artigo da Folha que achei muito interessante. Clica aqui ó!

Me fez pensar. Quem me conhece, sabe da minha formação acadêmica e profissional. Posso dizer hoje, com experiência e un peu de arrogância, que eu sou entendida no assunto gastronomia.

É algo que está no meu sangue. Não porque venho de uma família de chefs de cozinha, que dedicaram a vida ao ofício da restauração, mas porque eu venho de uma família de cozinheiros de verdade. Todo mundo na minha família sabe cozinhar. E eu não estou falando de arroz, feijão e bife. 

Na minha família sempre demos preferência ao "saber" do que ao "ter". No artigo da Folha, dizem assim "Essa comida não é minha nem de ninguém. Você já entrou na casa de sua vizinha e viu ela comendo javali com molho de blueberry e agrião doce?". Pois é, na minha casa tinha. Por um motivo simples até: cultura. Cozinha é pra mim cultura pura. E era por causa da cultura dos meus pais, que meu irmão e eu queríamos morrer com a gororóba insossa servida na casa dos amiguinhos. A gente comia pra não fazer desfeita, mas sabia muito bem o que era comida de verdade. Ou melhor, tínhamos outro referencial de cozinha, muito mais criativo e saudável.

Lembrando da minha infância, vejo os bolos de aniversário sofisticados que minha mãe fazia, coisa que só se via em confeitaria chique. A tainha assada do pai, com bastante alho e ervas frescas. Tinha também pratos espanhóis menos usuais, culinária alemã, libanesa, da Europa do leste. Se a comida estava mal feita era porque alguém estava doente. Outro dia fiz uma "bagna cauda" do nada para um amigo italiano e esse quase surtou de alegria ao ver que alguém fora do Piemonte já tivesse ouvido falar nisso. 

"- Não sabia que faziam isso no Brasil!
- Não fazem.
- E como é que você conhece isso?
- Minha mãe lê."

Nunca foi pela pretensão de se mostrar para ninguém. A cultura e hábito de comer bem era simplesmente porque a gente conhecia e logo não era necessário comer porcaria. Quem sabe cozinhar sabe fazer qualquer coisa dentro da geladeira brilhar. Reconhece potencial em ingredientes simples. É uma coisa tão normal, que nunca nem tratamos a cozinha com afetação. Não ficava falando por aí. Aliás, não gosto até hoje.

Sobre comida e vinho eu converso o necessário, e quando me perguntam. Faço uma brincadeira ou outra, quando por exemplo algum babaca acha bonito beber um Malbec argentino durante um jantar com sushis e sashimis, porque é ogro demais para entender que a delicadeza da culinária japonesa não será tão bem apreciada com uma bebida pesada e rudimentar. Mas reconheço que não tem coisa mais imbecíl do que um "enochato" ou um tonto filosofando sobre a incrível arte de fritar um ovo. 

Acredito no equilíbrio sempre. Não dá pra ir da alta gastronomia a "cozinha de ogro" como  dizem no artigo. Tem um meio aí muito mais coerente e saboroso... Reconheço também que uma comida simples e bem feita não tem preço. Minha sobremesa favorita ainda é goiabada cascão com queijo. O bolinho de arroz do Filial é a coisa mais sublime num domingo de ressaca.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Writer´s block

Não está rolando inspiração. Ando muito equilibrada ultimamente...

Siempre Julieta Arroquy...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mato sem cachorro

Olha, não tá fácil pra ninguém. Eu definitivamente prefiro ficar sozinha, sustentando uma disciplina yôgue de dar inveja as amigas carentes, do que levar nas costas um bebê chorão.

As mulheres ao longo dos anos em busca de uma existência mais feliz precisaram evoluir e abdicar de muito conforto. Os homens preferiram ficar onde estavam. Olham pra gente com aquela cara de "comolidar". E lidam super bem: vivem em busca da mulher perfeita que não fale demais, nem de menos; que pareça com a sua mãe, mas não muito; que tenha opiniões, mas não muito polêmicas; que tenha atitude mas sem ferir o ego deles; que seja estudada... Mas nunca jamais seja algo a mais, porque enfim, comolidar. Ah, por favor, que seja tapada também, mas só o suficiente para que o bofinho não passe vergonha com os amigos. Exageros a parte, feminilidade é sempre importante. E nisso eu até concordo...

Eu sofri e continuo sofrendo com isso, porque também não sei comolidar. Definitivamente não sei fazer teatro para agradar. E já nem sei mais o que esperar de homens. Acho que a minha atitude está mais ou menos como a deles: espero qualquer coisa, desde que não me incomode, não me contrarie e tenha uma boa aparência. E que, pelo-amor-de-Deus, corte cebolas com a minha mãe e jogue tênis com o pai.

Foi dia desses que saí com um amigo pra tomar uma cerveja e pegar dicas de viagem. O amigo, que pra variar um pouco não era gay, mudou o roteiro de boteco para pizzaria. Conversa vai, conversa vem, o amigo resolveu que ia fazer galanteios e pagou a conta. Lógico que eu insisti em dividir, mas ele insistiu mais ainda porque este tipo de atitude era de sua educação e cultura (e sei lá mais o que ele estava pensando). 

Resultado: me deu tremedeira e falta de ar. E não no bom sentido. Esse tipo de coisa só acontecia comigo quando viajava para o Rio de Janeiro.

Para melhorar meu quadro de "síndrome do pânico", o bofis resolveu que ia me acompanhar até em casa. Já na minha rua, eu resolvi fazer uso da minha educação há muito adormecida e agradeci pela companhia, gentilezas e pizza. O amigo, na mais absoluta pretensão, me diz:

"- Ah, eu sou cavalheiro mesmo. Na verdade, sou um herói." 

Foi aí que os céus resolveram sorrir pra mim.

Eu estava calçando chinelas (sim, chinelas havaianas) quando senti uma cócega no meu pé direito. Parei, olhei pra baixo sem enxergar muita coisa, me apoiei no amigo e sacudi meu pé. Vi que um inseto tinha caído do meu pé.

Uma barata. Isso mesmo. Uma barata da rua subiu no meu pé. 

Eu não tenho medo de baratas. Tipo, zéro. Tenho pavor absoluto de aranhas e galinhas, mas baratas jamais. A cócega me deu uma certa agonia, mas minha reação não chegou nem perto de um escândalo. Foi um tipo Daria Morgendorffer dizendo "Ai, mas que porra é essa...". Barata fora do meu pé, eu estava pronta pra seguir caminhando, quando a melhor cena do ano aconteceu: o cavalheiro/herói deu um pulo pra trás, me segurou pelos ombros e meio que atrás de mim disse nervosinho:

" - Ai, que isso! Uma ba-ra-ta?!!!!"

Pára tudo que eu quero descer. Jamais que eu presenciaria uma cena dessa sem rir, muito. Passado o meu ataque de gargalhadas histéricas para todo o bairro ouvir, eu perguntei para o fulano se ele tinha "medinho de baratas".

"- Errr... medo, não. Tenho nojo...".

Ah, sim. Muito melhor! 

Ainda bem que eu mato minhas próprias baratas, na prática não faria diferença. Mas a inversão de valores nesse caso está um pouco demais...

Voltando ao que eu espero dos homens: qualquer coisa, desde que não me incomode, não me contrarie,  tenha uma boa aparência, corte cebolas com a minha mãe, jogue tênis com meu pai, e tenha culhões. 

É pedir muito?





quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ásia feelings

O marido Ana foi passar as férias dela na Tailândia.

Voltou cheia de presentes, novidades, filosofias e hábitos alimentares novos. Ah, ela acha que agora é um pessoa zen também.

Enfim, dentre as maluquices comestíveis ela trouxe um "chá de crisântemo". Vem numa caixinha, todo porcionado em saquinhos e tem o aspecto de um açúcar cristal aromatizado. Bebe-se gelado.

Enfim, lá foi eu preparar o chá pra experimentar. Não é ruim o troço. Pelo contrário, me gustó...

"Talitta - É assim que faz?
Ana - É só diluir na água gelada...
Talitta - ... é bom... é doce né...
Ana - Ah... que saudades de lá já...
Talitta - Me lembra alguma coisa esse sabor... alguma coisa de infância...
Ana - Velório."

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Inclusão digital

O irmão se pirulitou pra fora do país. 

Aí eu fiz a grande besteira do ano: apresentei meus pais para o Skype e a webcam. Como quase toda a geração deles, eles não sabem usar essas coisas com moderação.

Foi durante a noite, eu colocando alguns e-mails, mensagens e downloads em dia, que me pula a telinha do Skype na tela:

"Mãe Albuquerque chamando"

" - Ooooooooi filhaaaaaaaa!!!"

Era meu pai.

"Talitta - Oi pai.
Pai - Tudo bem, filhaaaaaaaaa!!!
Talitta - Errr, tudo...
Pai - Cê tá boa, filhaaaaaa!!!
Talitta - Tô.
Pai - Tá vendo o papai, filhaaaaa????
Talitta - Estou sim, arrumei a câmera né...
Pai - Tá vendo o papaizinho?????
Talitta - Pai...
Pai - Olha o papai aqui!!!Olha a testa do papai!!!!
Talitta - Olha a careca do papai...
Voz da mãe ao fundo - Talitta! Você perdeu seu pai pelado de madrugada correndo atrás  do gato branco que entrou dentro de casa! HAHAHAHAHAHAHAHA!!!"

Sim, cadê a Talitta com a filmadora nessas horas?

Aí, minutos depois, liga o irmão:

" Irmão - Tata? Puta merda, pede pro pai não ficar de cueca na frente da câmera... Vai sifú meu..."




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Postura

Gente desocupada reclama de qualquer bobagem.

Vamos lá: quem são os cretinos que encomendam as cadeiras e mesas das praças de alimentação de shopping centers?

Eu nunca vi escolhas tão imbecis na minha vida. Da próxima vez que for almoçar, jantar, sei lá, em uma praça de alimentação de shopping center favor olhar a sua volta e reparar a forma extremamente desconfortável que as pessoas ficam sentadas.

Tava eu hoje numa praça de alimentação de um shopping center qualquer, me preparando para abocanhar meu mais novo sanduíche-íche saudável. A minha péssima postura enquanto estava sentada rapidamente começou a me dar dor de estômago. Ao observar primeiramente que a errada só poderia ser yo, tratei de endireitar minha coluna (e percebi que cresci alí uns 10 cm). Só que a mesa parecia um tanto baixa para a minha "altura" na mesa e logo comecei a ter dor nos ombros. Percebi que estava sentada na beira da cadeira também. Bom, num impulso meio inconsciente de compensação da postura desconfortável, cruzei minhas pernas. Ao cruzar minhas pernas eu bati meu joelho no "pé" da mesa, que fica muito convenientemente localizado no meio da mesa.

Tá, um roxo no joelho depois, achei que era hora de tentar uma postura diferente. Mamãe dizia que era necessário encostar as costas toda no encosto da cadeira. Então eu fui. Nessa hora eu sempre me lembro da filhadaputagem que é a escolha dessas cadeiras. No alto dos meus 20 e poucos anos, ainda não vi uma praça de alimentação de shopping sequer que tenha um encosto decente. O assento é sempre enorme e os encostos ficam láááááááá atrás. Aí eu joguei o quadril pra trás, busquei o encosto e... percebi que meus pés não tocavam o chão. Nada de absurdo aí, pois eu sou a típica brasileira, de estatura média, então eu imagino que diversas pessoas se identificarão com isso.

Resolvi ver quanto tempo eu aguentaria ficar sentada naquela cadeira balançando meus pezinhos enquanto almoçava. Não demorou para sentir que a circulação de sangue nas minhas pernas estava prejudicada, pois começou a formigar tudo. Aí começa aquela "dança" ridícula, de saracutiar com os pés embaixo da mesa, para ver se parava de formigar. Nova batida de joelho e novo roxo. Quando a circulação voltou, me "endireitei" no encosto da cadeira novamente. Fui progressivamente escorregando a bunda na cadeira, sem tirar as costas do encosto, até finalmente achar um ponto mais ou menos confortável. Começou a doer a lombar. Cazzo.

E "encosto" é só modo de falar, porque ele não chega nem no meio das costas. E tinhas duas barras; uma delas ficava ainda mais arqueada pra fora. Ou seja: 1/5 da suas costas fica mais ou menos ereta. Oi?

Quem nunca abriu mão da funcionalidade e/ou conforto de uma peça de roupa/sapato/móvel/caralho-a-quatro só por causa da estética? Mesmo que fosse cara além de níveis sensatos de consumismo? Gente, vem comigo: além de tudo, essas cadeiras e mesas são feias para danar!

O que se pretende com isso é o óbvio: que ninguém fique confortável o bastante, para que se coma rápido e dê logo o seu lugar para outras pessoas. Fico só imaginando a quantidade de pessoas que precisam almoçar nesses lugares todos os dias e, não bastasse a poluição sonora e visual desses lugares, as cadeiras desconfortáveis, as mesas baixas demais, rola aí uma indigestãozinha e muitas rugas.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Fim de Ano

Ah! As festas de fim de ano!

Como toda pessoa essencialmente mal-humorada, eu simplesmente cago para elas. Não sou católica então Natal não me comove. Ano novo me deixa un peu deprimida, mas supero rápido.

Passei o Natal com a família, os vizinhos e uns amigos. Aquela coisa, éramos uns 13 comensais, 11 se tirar as crianças dos amigos que não comem, só fuçam no prato. Mamãe cozinhou para 40, como manda a consciência dela. Muito vinho, cerveja, drinks com água de rosas e pétalas de hibisco (mamãe achou phyno), todos os tipos de carnes e tudo e tal. 

Dentre os incontáveis comentários absurdos da noite, destacarei dois. Enquanto "as mulheres da casa" arrumavam a mesa e os pratos, eu fui beber cerveja com os homens. Ao chegar na mesa do clube do Bolinha, um deles me oferece, assim, meio desconfiado:

"Amigo: Você quer cerveja, Talitta? Aliás, você bebe cerveja?
Pai: O que? Claro que bebe! Isso aí é sócia da Ambev!"

Sorriso amarelo florescente, só acenei com a cabeça e levantei meu copo com cara de que "vai enchendo saporra logo..."

Os vizinhos tem uma filha, praticamente minha irmã gêmea 20 anos mais nova, a Maria, que estava conosco. Maria só tem tamanho. É uma criança com todos os adjetivos que uma criança deveria ter, extrema inocência inclusa.

Estávamos no final do jantar de Natal, já nos despedindo dos amigos. Maria ao ver as outras crianças com seus presentes, vira justamente pra mim e pergunta:

"Maria:  Será que o Papai Noel já passou em casa?
Talitta: Hum... quer saber a real?"

Eis que minha mãe me lança um daqueles olhares de matar passarinho e, com as sandálias de borboleta brilhante de salto na mão, me ameaça:

"Mãe: Se você falar alguma coisa agora eu juro que dou isso aqui (a sandália de salto) na sua cabeça!"

E lá se foi minha chance de propagar a verdade absoluta... Droga...