quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ásia feelings

O marido Ana foi passar as férias dela na Tailândia.

Voltou cheia de presentes, novidades, filosofias e hábitos alimentares novos. Ah, ela acha que agora é um pessoa zen também.

Enfim, dentre as maluquices comestíveis ela trouxe um "chá de crisântemo". Vem numa caixinha, todo porcionado em saquinhos e tem o aspecto de um açúcar cristal aromatizado. Bebe-se gelado.

Enfim, lá foi eu preparar o chá pra experimentar. Não é ruim o troço. Pelo contrário, me gustó...

"Talitta - É assim que faz?
Ana - É só diluir na água gelada...
Talitta - ... é bom... é doce né...
Ana - Ah... que saudades de lá já...
Talitta - Me lembra alguma coisa esse sabor... alguma coisa de infância...
Ana - Velório."

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Inclusão digital

O irmão se pirulitou pra fora do país. 

Aí eu fiz a grande besteira do ano: apresentei meus pais para o Skype e a webcam. Como quase toda a geração deles, eles não sabem usar essas coisas com moderação.

Foi durante a noite, eu colocando alguns e-mails, mensagens e downloads em dia, que me pula a telinha do Skype na tela:

"Mãe Albuquerque chamando"

" - Ooooooooi filhaaaaaaaa!!!"

Era meu pai.

"Talitta - Oi pai.
Pai - Tudo bem, filhaaaaaaaaa!!!
Talitta - Errr, tudo...
Pai - Cê tá boa, filhaaaaaa!!!
Talitta - Tô.
Pai - Tá vendo o papai, filhaaaaa????
Talitta - Estou sim, arrumei a câmera né...
Pai - Tá vendo o papaizinho?????
Talitta - Pai...
Pai - Olha o papai aqui!!!Olha a testa do papai!!!!
Talitta - Olha a careca do papai...
Voz da mãe ao fundo - Talitta! Você perdeu seu pai pelado de madrugada correndo atrás  do gato branco que entrou dentro de casa! HAHAHAHAHAHAHAHA!!!"

Sim, cadê a Talitta com a filmadora nessas horas?

Aí, minutos depois, liga o irmão:

" Irmão - Tata? Puta merda, pede pro pai não ficar de cueca na frente da câmera... Vai sifú meu..."




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Postura

Gente desocupada reclama de qualquer bobagem.

Vamos lá: quem são os cretinos que encomendam as cadeiras e mesas das praças de alimentação de shopping centers?

Eu nunca vi escolhas tão imbecis na minha vida. Da próxima vez que for almoçar, jantar, sei lá, em uma praça de alimentação de shopping center favor olhar a sua volta e reparar a forma extremamente desconfortável que as pessoas ficam sentadas.

Tava eu hoje numa praça de alimentação de um shopping center qualquer, me preparando para abocanhar meu mais novo sanduíche-íche saudável. A minha péssima postura enquanto estava sentada rapidamente começou a me dar dor de estômago. Ao observar primeiramente que a errada só poderia ser yo, tratei de endireitar minha coluna (e percebi que cresci alí uns 10 cm). Só que a mesa parecia um tanto baixa para a minha "altura" na mesa e logo comecei a ter dor nos ombros. Percebi que estava sentada na beira da cadeira também. Bom, num impulso meio inconsciente de compensação da postura desconfortável, cruzei minhas pernas. Ao cruzar minhas pernas eu bati meu joelho no "pé" da mesa, que fica muito convenientemente localizado no meio da mesa.

Tá, um roxo no joelho depois, achei que era hora de tentar uma postura diferente. Mamãe dizia que era necessário encostar as costas toda no encosto da cadeira. Então eu fui. Nessa hora eu sempre me lembro da filhadaputagem que é a escolha dessas cadeiras. No alto dos meus 20 e poucos anos, ainda não vi uma praça de alimentação de shopping sequer que tenha um encosto decente. O assento é sempre enorme e os encostos ficam láááááááá atrás. Aí eu joguei o quadril pra trás, busquei o encosto e... percebi que meus pés não tocavam o chão. Nada de absurdo aí, pois eu sou a típica brasileira, de estatura média, então eu imagino que diversas pessoas se identificarão com isso.

Resolvi ver quanto tempo eu aguentaria ficar sentada naquela cadeira balançando meus pezinhos enquanto almoçava. Não demorou para sentir que a circulação de sangue nas minhas pernas estava prejudicada, pois começou a formigar tudo. Aí começa aquela "dança" ridícula, de saracutiar com os pés embaixo da mesa, para ver se parava de formigar. Nova batida de joelho e novo roxo. Quando a circulação voltou, me "endireitei" no encosto da cadeira novamente. Fui progressivamente escorregando a bunda na cadeira, sem tirar as costas do encosto, até finalmente achar um ponto mais ou menos confortável. Começou a doer a lombar. Cazzo.

E "encosto" é só modo de falar, porque ele não chega nem no meio das costas. E tinhas duas barras; uma delas ficava ainda mais arqueada pra fora. Ou seja: 1/5 da suas costas fica mais ou menos ereta. Oi?

Quem nunca abriu mão da funcionalidade e/ou conforto de uma peça de roupa/sapato/móvel/caralho-a-quatro só por causa da estética? Mesmo que fosse cara além de níveis sensatos de consumismo? Gente, vem comigo: além de tudo, essas cadeiras e mesas são feias para danar!

O que se pretende com isso é o óbvio: que ninguém fique confortável o bastante, para que se coma rápido e dê logo o seu lugar para outras pessoas. Fico só imaginando a quantidade de pessoas que precisam almoçar nesses lugares todos os dias e, não bastasse a poluição sonora e visual desses lugares, as cadeiras desconfortáveis, as mesas baixas demais, rola aí uma indigestãozinha e muitas rugas.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Fim de Ano

Ah! As festas de fim de ano!

Como toda pessoa essencialmente mal-humorada, eu simplesmente cago para elas. Não sou católica então Natal não me comove. Ano novo me deixa un peu deprimida, mas supero rápido.

Passei o Natal com a família, os vizinhos e uns amigos. Aquela coisa, éramos uns 13 comensais, 11 se tirar as crianças dos amigos que não comem, só fuçam no prato. Mamãe cozinhou para 40, como manda a consciência dela. Muito vinho, cerveja, drinks com água de rosas e pétalas de hibisco (mamãe achou phyno), todos os tipos de carnes e tudo e tal. 

Dentre os incontáveis comentários absurdos da noite, destacarei dois. Enquanto "as mulheres da casa" arrumavam a mesa e os pratos, eu fui beber cerveja com os homens. Ao chegar na mesa do clube do Bolinha, um deles me oferece, assim, meio desconfiado:

"Amigo: Você quer cerveja, Talitta? Aliás, você bebe cerveja?
Pai: O que? Claro que bebe! Isso aí é sócia da Ambev!"

Sorriso amarelo florescente, só acenei com a cabeça e levantei meu copo com cara de que "vai enchendo saporra logo..."

Os vizinhos tem uma filha, praticamente minha irmã gêmea 20 anos mais nova, a Maria, que estava conosco. Maria só tem tamanho. É uma criança com todos os adjetivos que uma criança deveria ter, extrema inocência inclusa.

Estávamos no final do jantar de Natal, já nos despedindo dos amigos. Maria ao ver as outras crianças com seus presentes, vira justamente pra mim e pergunta:

"Maria:  Será que o Papai Noel já passou em casa?
Talitta: Hum... quer saber a real?"

Eis que minha mãe me lança um daqueles olhares de matar passarinho e, com as sandálias de borboleta brilhante de salto na mão, me ameaça:

"Mãe: Se você falar alguma coisa agora eu juro que dou isso aqui (a sandália de salto) na sua cabeça!"

E lá se foi minha chance de propagar a verdade absoluta... Droga...