segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Li um pequeno artigo da Folha que achei muito interessante. Clica aqui ó!

Me fez pensar. Quem me conhece, sabe da minha formação acadêmica e profissional. Posso dizer hoje, com experiência e un peu de arrogância, que eu sou entendida no assunto gastronomia.

É algo que está no meu sangue. Não porque venho de uma família de chefs de cozinha, que dedicaram a vida ao ofício da restauração, mas porque eu venho de uma família de cozinheiros de verdade. Todo mundo na minha família sabe cozinhar. E eu não estou falando de arroz, feijão e bife. 

Na minha família sempre demos preferência ao "saber" do que ao "ter". No artigo da Folha, dizem assim "Essa comida não é minha nem de ninguém. Você já entrou na casa de sua vizinha e viu ela comendo javali com molho de blueberry e agrião doce?". Pois é, na minha casa tinha. Por um motivo simples até: cultura. Cozinha é pra mim cultura pura. E era por causa da cultura dos meus pais, que meu irmão e eu queríamos morrer com a gororóba insossa servida na casa dos amiguinhos. A gente comia pra não fazer desfeita, mas sabia muito bem o que era comida de verdade. Ou melhor, tínhamos outro referencial de cozinha, muito mais criativo e saudável.

Lembrando da minha infância, vejo os bolos de aniversário sofisticados que minha mãe fazia, coisa que só se via em confeitaria chique. A tainha assada do pai, com bastante alho e ervas frescas. Tinha também pratos espanhóis menos usuais, culinária alemã, libanesa, da Europa do leste. Se a comida estava mal feita era porque alguém estava doente. Outro dia fiz uma "bagna cauda" do nada para um amigo italiano e esse quase surtou de alegria ao ver que alguém fora do Piemonte já tivesse ouvido falar nisso. 

"- Não sabia que faziam isso no Brasil!
- Não fazem.
- E como é que você conhece isso?
- Minha mãe lê."

Nunca foi pela pretensão de se mostrar para ninguém. A cultura e hábito de comer bem era simplesmente porque a gente conhecia e logo não era necessário comer porcaria. Quem sabe cozinhar sabe fazer qualquer coisa dentro da geladeira brilhar. Reconhece potencial em ingredientes simples. É uma coisa tão normal, que nunca nem tratamos a cozinha com afetação. Não ficava falando por aí. Aliás, não gosto até hoje.

Sobre comida e vinho eu converso o necessário, e quando me perguntam. Faço uma brincadeira ou outra, quando por exemplo algum babaca acha bonito beber um Malbec argentino durante um jantar com sushis e sashimis, porque é ogro demais para entender que a delicadeza da culinária japonesa não será tão bem apreciada com uma bebida pesada e rudimentar. Mas reconheço que não tem coisa mais imbecíl do que um "enochato" ou um tonto filosofando sobre a incrível arte de fritar um ovo. 

Acredito no equilíbrio sempre. Não dá pra ir da alta gastronomia a "cozinha de ogro" como  dizem no artigo. Tem um meio aí muito mais coerente e saboroso... Reconheço também que uma comida simples e bem feita não tem preço. Minha sobremesa favorita ainda é goiabada cascão com queijo. O bolinho de arroz do Filial é a coisa mais sublime num domingo de ressaca.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Writer´s block

Não está rolando inspiração. Ando muito equilibrada ultimamente...

Siempre Julieta Arroquy...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mato sem cachorro

Olha, não tá fácil pra ninguém. Eu definitivamente prefiro ficar sozinha, sustentando uma disciplina yôgue de dar inveja as amigas carentes, do que levar nas costas um bebê chorão.

As mulheres ao longo dos anos em busca de uma existência mais feliz precisaram evoluir e abdicar de muito conforto. Os homens preferiram ficar onde estavam. Olham pra gente com aquela cara de "comolidar". E lidam super bem: vivem em busca da mulher perfeita que não fale demais, nem de menos; que pareça com a sua mãe, mas não muito; que tenha opiniões, mas não muito polêmicas; que tenha atitude mas sem ferir o ego deles; que seja estudada... Mas nunca jamais seja algo a mais, porque enfim, comolidar. Ah, por favor, que seja tapada também, mas só o suficiente para que o bofinho não passe vergonha com os amigos. Exageros a parte, feminilidade é sempre importante. E nisso eu até concordo...

Eu sofri e continuo sofrendo com isso, porque também não sei comolidar. Definitivamente não sei fazer teatro para agradar. E já nem sei mais o que esperar de homens. Acho que a minha atitude está mais ou menos como a deles: espero qualquer coisa, desde que não me incomode, não me contrarie e tenha uma boa aparência. E que, pelo-amor-de-Deus, corte cebolas com a minha mãe e jogue tênis com o pai.

Foi dia desses que saí com um amigo pra tomar uma cerveja e pegar dicas de viagem. O amigo, que pra variar um pouco não era gay, mudou o roteiro de boteco para pizzaria. Conversa vai, conversa vem, o amigo resolveu que ia fazer galanteios e pagou a conta. Lógico que eu insisti em dividir, mas ele insistiu mais ainda porque este tipo de atitude era de sua educação e cultura (e sei lá mais o que ele estava pensando). 

Resultado: me deu tremedeira e falta de ar. E não no bom sentido. Esse tipo de coisa só acontecia comigo quando viajava para o Rio de Janeiro.

Para melhorar meu quadro de "síndrome do pânico", o bofis resolveu que ia me acompanhar até em casa. Já na minha rua, eu resolvi fazer uso da minha educação há muito adormecida e agradeci pela companhia, gentilezas e pizza. O amigo, na mais absoluta pretensão, me diz:

"- Ah, eu sou cavalheiro mesmo. Na verdade, sou um herói." 

Foi aí que os céus resolveram sorrir pra mim.

Eu estava calçando chinelas (sim, chinelas havaianas) quando senti uma cócega no meu pé direito. Parei, olhei pra baixo sem enxergar muita coisa, me apoiei no amigo e sacudi meu pé. Vi que um inseto tinha caído do meu pé.

Uma barata. Isso mesmo. Uma barata da rua subiu no meu pé. 

Eu não tenho medo de baratas. Tipo, zéro. Tenho pavor absoluto de aranhas e galinhas, mas baratas jamais. A cócega me deu uma certa agonia, mas minha reação não chegou nem perto de um escândalo. Foi um tipo Daria Morgendorffer dizendo "Ai, mas que porra é essa...". Barata fora do meu pé, eu estava pronta pra seguir caminhando, quando a melhor cena do ano aconteceu: o cavalheiro/herói deu um pulo pra trás, me segurou pelos ombros e meio que atrás de mim disse nervosinho:

" - Ai, que isso! Uma ba-ra-ta?!!!!"

Pára tudo que eu quero descer. Jamais que eu presenciaria uma cena dessa sem rir, muito. Passado o meu ataque de gargalhadas histéricas para todo o bairro ouvir, eu perguntei para o fulano se ele tinha "medinho de baratas".

"- Errr... medo, não. Tenho nojo...".

Ah, sim. Muito melhor! 

Ainda bem que eu mato minhas próprias baratas, na prática não faria diferença. Mas a inversão de valores nesse caso está um pouco demais...

Voltando ao que eu espero dos homens: qualquer coisa, desde que não me incomode, não me contrarie,  tenha uma boa aparência, corte cebolas com a minha mãe, jogue tênis com meu pai, e tenha culhões. 

É pedir muito?