sexta-feira, 8 de julho de 2011

Moda

Macho que é macho mesmo não entende de moda, certo?

Errado.

O mundo está de pernas para o ar mesmo. Foi-se o tempo no qual os homens tinham 3 calças, 7 camisas, 2 camisetas, um cardigan e um terno. E não faziam menos sucesso por isso. 

Não conheço muitos homens que tem um olho analítico para moda ou sequer vocabulário. Nesse caso, acho que estereótipos se aplicam sim: a maioria dos homens que entende de moda hoje em dia diz que Mika é trilha sonora pra vida, Vogue é bíblia e o melhor filme "evah" é o Diabo Veste Prada, porque Merryl é diva!

Mas voltando as atenções agora aos queridos brucutús, acho que o medo de ser considerado um "metrossexual" é tão grande que até tentam esconder qualquer apreço pela moda que saia do lugar comum. Tentam.

Como por exemplo, cores. Mulheres tem uma atenção ou noção melhor de nuances por conta da indústria da moda. Roxo não é simplesmente roxo. Roxo pode ser berinjela, uva, lilás, lavanda. Azul não é só azul. Azul pode ser cobalto, turquesa, marinho, celeste. Outro dia por exemplo eu estava usando uma saia de tule e renda tipo bailarina, de cor "nude". Veja bem, "nude" não é lá exatamente uma cor; se você tentar comprar uma bisnaga de tinta a óleo na cor "nude" não vai achar. Chamam de "nude" peças feitas com cores que imitam a cor da pele. Não é bege, nem cru. E existem vários tons de "nude" para os mais diversos tipos de pele. Geralmente serão feitas com tecidos leves, de textura delicada tipo rendas ou um chiffon. Geralmente levam bordados também. Gosto de pensar que parecem um "doce" de tão lindas que são. Meu pai é o único homem que sabe diferenciar cores. Aliás, ele tem uma coleção de camisas cor de rosa, que pra ele não são "cor de rosa", e sim salmão, salmonete, rosa alaranjado... Meu pai não é gay, ele só trabalha com moda.

Enfim, minha saia "nude" de tule foi elogiada. Foi algo mais ou menos assim:

"- Gostei daquela tua saia. Por que não usa ela de novo?
- Qual saia?
- Aquela branca.
- Branca? Que saia branca?
- Aquela de bailarina!
- Não é branca.
- É branca sim!
- Eu não tenho saia branca.
- Ah, é um branco sujo...
- É NUDE!"

Daí vieram diversas histórias e comentários de como homens não entendem de cor, que pra homem é tudo igual, porque enfim, são machos durões e xucros por excelência e com muito orgulho e esse tipo de detalhe a respeito de moda são meras "tecnicalidades".

Mas os seres humanos são contraditórios. O mesmo machão, que não sabe nada de cores e, analogamente falando, não entende de moda, me mostrou uma foto de chapéu no parque. Isso mesmo, um c-h-a-p-é-u. 

Chapéus já foram ítens obrigatórios no vestuário de um gentleman. Na verdade, de qualquer cidadão comum. Me arrisco a dizer que caíram em desuso nos anos 50 do século passado, quando o rockabilly tomou conta da cultura popular norte americana e o bacana era exibir topetes. E topete não combinava com chapéu. Nem preciso me estender aqui na influência da cultura norte-americana (me refiro aos EUA) no resto do mundo com o final da Segunda Guerra. Dos topetes vieram os cabelos estilo black power, a cabeleira hippie e os mohawks punks. No Brasil, usar um chapéu sem motivo aparente é quase subversivo. Da mesma forma que Buggles diz que "Video killed the radio star", eu diria que o rock matou o chapéu. Uma pessoa que use chapéus hoje em dia poderia ser considerada ousada e estilosa. Não vale boné. Eu mesma gosto muito de chapéus, mas sempre preciso de uma dose extra de inspiração. 

Enfim, o chapéu do bofe era um chapéu de abas pequenas, que recebeu uma faixa escura, possivelmente preta, na base da copa. A cor era um cru, parecido com aquela palha fina do Panamá equatoriano. Como a foto era pequena, não deu pra visualizar o material com o qual o chapéu foi confeccionado. Por este  motivo, eu cometi um equívoco comum e compreensível. Conhecer os variados tipos de chapéus também não é um assunto de mesa de chopp. Se já disse que para o brasileiro é difícil usar um chapéu, imagine conhecer a origem e nome dele. Bom, pensando nisso, fiz um comentário me achando, mas não esperava resposta alguma.

"- Opa, Panamá?
- Não! Fedora!"

Ah, tá. 

Tecnicalidades...